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Involução condenável


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Não estacionam em nenhuma esquina as ações dos adeptos das pichações de paredes urbanas. Nem mesmo em frente aos semáforos dos não adeptos, ela pára. Então, suas ações, por si só nefastas, vão, por isso mesmo, acontecendo sem qualquer paradeiro, não perdoando nada e ninguém, sejam edificações públicas e prédios comerciais e residenciais, assim como muros domésticos, dentre os quais nem o da casa do jornalista foi respeitado. O coitadinho, poucas horas depois de pintado, foi visitado pelos pichadores e marcado por pincéis umedecidos com tinta grossa, ignorado, inclusive, pelas rondas policiais e fiscais da Emdurb, pois os traquinas, desfrutando da despreocupação das autoridades, conseguem agir à bel prazer, manchando tudo o que se apresenta sem mancha, limpinho como água potável.

Chega a impressionar o que fazem nas propriedades alheias, porque destituído ou desprovido do menor toque de arte pitórica. Conseqüentemente, aí está a nossa Cidade Sem Limites se parecendo com um monstrinho em franco crescimento e, então, atemorizando moradores com os ônus que terão de despender quando pretenderem restaurar suas pinturas e tiverem de fazê-lo sem delongas, como está acontecendo conosco e muitos velhos, habitantes do dadivoso solo que Monsenhor Claro, Azarias Leite, Araújo Leite, Batista de Carvalho, Machado de Melo e outros transformaram em cidade com a intenção de que ela viesse a ser respeitada e se mantendo eternamente vestida com roupagens limpas, bonitas e modernas.

Será que não virá a sê-lo tão cedo por insensatez de uns poucos instigados por impulsos reprováveis? O que a população terá de fazer para morar calmamente na urbe com que ontem sonhou e, hoje, anseiam os seus sonhadores filhos? Impedem-no tantos problemas e os pichadores são certamente mais alguns deles, principalmente quando reproduzem obcenidades, maculando a cultura das crianças e adolescentes que também vão lê-las na sua passagem por elas ao lado de genitores e amigos. Alguns, estarrecidos, até perguntam: “Pai, o que é isso?” e o pai não sabe como justificá-las. (O Autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado). “Há um pássaro que nos abre o caminho! Leva-nos através do bosque e às margens do mar da alegria! Subitamente, a gente vê o sol, ouve as canções e se surpreende com o perfume das flores”.

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