Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
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Espuma fria A enfadonha discussão sobre o adiamento da votação pela Câmara Municipal da indicação dos presidentes da Emdurb e DAE, ocorrida na sessão de ontem, lembra aquelas conversas de botequim que servem apenas para ver o tempo passar. Mas, em se tratando do parlamento municipal, a votação de ontem sobre o assunto parece mais que espuma: não serve pra nada.

Tempo perdido No bar, pelo menos, a espuma e o papo jogado fora servem ao lazer. Só que, no parlamento, essas discussões custam a paciência, a falta de bom senso e pior, custam dinheiro público com energia, cafezinho, ar-condicionado, etc. Se for para marcar posição política, os vereadores têm inúmeros temas para fazê-lo. Do jeito que ocorreu, parecia até birra, um sentimento pobre para quem é agente público.

Sem valia A aprovação ou não dos vereadores para os indicados para assumir o DAE e a Emdurb não muda em nada as escolhas feitas pelo Executivo. O ônus de acertar ou errar continua sendo do prefeito, ele foi eleito pra isso. Cabe aos parlamentares fiscalizar esses atos. Assim, a rejeição das indicações pelo plenário, se ocorrer, sequer veta os escolhidos. E isso independe, inclusive, da sabatina a que os indicados vão se submeter.

Pós-crise? Uma das lições que deveria ser tirada do período de recente crise político-administrativa era exatamente a mudança de comportamento sem conexão com o espírito público e o interesse coletivo. É através dessas ações que, dia-a-dia, se identifica quem veio para discutir o fim da crise ou demonstrar o gosto pela sua manutenção.

Agrado verbal Um exemplo latente sobre esse tipo de conservadorismo parasita saiu do próprio plenário. Ao invés de discutir prós e contras, ou alternativas se fosse o caso, às recentes mudanças em curso na área de educação, o pefelista Paulo Eduardo Martins Neto preferiu tentar agradar o público da galeria atacando o fim das dobras de turnos nas escolas. É o velho estilo: “Vou ficar de bem com eles”.

Umbigo E que se frise que, no caso das professoras da rede municipal, elas não só têm o direito como devem ser ouvidas sobre suas reclamações. E a secretária Ana Daibem reafirma esse procedimento na edição de hoje (pág. 4). Eis uma demonstração inerente ao jogo democrático. Mas é preciso deixar igualmente anotado no quadro negro que existem, sim, casos de favorecimento na rede municipal gerados durante o governo Nilson Costa.

Prendas O poder público não pode ficar a serviço de interesses individuais. Esta “lógica do sistema” precisa, sempre, ser combatida. A contaminação não pode ficar impregnada. São alvarás de funcionamento, cancelamento de autos de infração, vistorias amigas, cessão para classe de aluno especial, indicações de cargos sem critérios técnico-profissinais e etc.

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