Jaú – O ressarcimento do prejuízo acarretado pela empresa Tour Company a consumidores da região virou apenas promessa. A revolta de quem adquiriu pacotes turísticos com a empresa é constantemente registrada em boletins de ocorrência lavrados nas delegacias. Só no 1.º Distrito Policial de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru) já foram instaurados quatro inquéritos e mais 13 boletins de ocorrência em que as pessoas acusam o proprietário da agência de turismo Dionísio Palma Júnior de não cumprir com os serviços pagos. Outro inquérito foi instaurado na delegacia de polícia de Bocaína.
Quando as primeiras reclamações surgiram, no final do ano passado, Júnior prometeu a devolução dos valores aos clientes. Entretanto, ele só não disse quando e até agora surgem novas pessoas prestando queixas.
O delegado de polícia de Bocaína, Mário Bergamo Júnior, fez um comunicado (carta precatória) à polícia de Jaú em que indiciou Dionísio Palma Júnior por estelionato. O delegado explica que seu procedimento faz constar para a polícia da cidade vizinha que na ficha criminal de Júnior consta, agora, antecedente. O delegado lembra que tentou de todas as formas um contato com o proprietário da Tour Company, mas o mesmo nunca foi encontrado ou deu retorno.
Quando negociava os pacotes turísticos, Dionísio era encontrado na sede da empresa na rua Quintino Bocaiúva, no Centro de Jaú. Quando veio à tona o problema, as portas da agência de turismo foram fechadas, seus telefones também não atendiam e o empresário não era encontrado. “Ele não reembolsou e não deu satisfação”, ressalta o delegado. Restou cumprir o rito de instauração de inquérito policial, ouvir as testemunhas e indiciar Dionísio por estelionato.
No município de Jaú, o delegado do 1.º DP, Wanderley Benedito Vendramini, dá prosseguimento às investigações do caso, que está na fase em que as testemunhas relatam seus problemas com a empresa de turismo. Até a sexta-feira, 13 boletins de ocorrência de clientes da agência ainda estavam aguardando as provas que confirmem os pagamentos (extratos bancários e microfilmes de cheques).
Grande prejuízo
Além do sentimento de frustração pelo sonho da viagem desfeito, o pior para as pessoas é a sensação de terem sido lesadas financeiramente. Isto é o que move os clientes a continuarem a dar queixa do crime ao 1.º Distrito Policial de Jaú, que reúne os casos. As vítimas apresentam comprovantes de pagamento, que, muitas vezes, demoram pela burocracia dos bancos, procurando alguma satisfação e, quem sabe, reaver a quantia paga pelos pacotes turísticos.
Na primeira quinzena de dezembro do ano passado, a família Tonon, da cidade de Bocaina, fez a contratação do serviço da Tour Company. Pagaram R$ 50 mil por um pacote para a Suíça que incluía passagens aéreas, transporte terrestre e hospedagem. O casal Alfredo e Vera Tonon e a filha Claudia se programaram para viajar no final de dezembro, próximo ao Natal de 2004, quando iriam encontrar uma neta residente no Exterior. Dias antes do embarque, Claudia ligou para a empresa aérea para confirmar a reserva de lugares. Teve a surpresa negativa de que nada havia sido reservado.
A solução imediata foi contratar novo serviço de outra empresa. O delegado conta que a família desembolsou outros R$ 50 mil, além da quantia que já havia sido paga a Dionísio Palma Júnior. A família do usineiro Alfredo Tonon não se conformou e, conforme o delegado, já ligou algumas vezes na delegacia para saber do desenrolar da história.
Contra um grupo de 60 turista de Itapuí (42 quilômetros a leste de Bauru), Dionísio é acusado de aplicar novo golpe.
Pais, professores e alunos do Colégio Santo Antônio planejaram uma formatura nas praias de Camboriú, balneário localizado em Santa Catarina.
Depois de três anos economizando, promovendo festas para arrecadar dinheiro e criando muita expectativa, a notícia de que a agência contratada para cuidar do passeio dos alunos não havia pago a reserva do hotel foi um banho de água fria. Com requintes de crueldade, pois todos só ficaram sabendo que a viagem estava cancelada seis horas antes do embarque. A lista das viagens desfeitas inclui, ainda, um ex-vereador de Jaú. A reportagem tentou, sem sucesso, localizar Dionísio Palma Júnior para ouvir sua versão dos fatos.