Bairros

Obras 'urgentes' seguem sem prazo

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 4 min

Obras consideradas “urgentes” em Bauru permanecem sem prazo definido para serem realizadas, apesar do esforço da administração Tuga Angerami (PDT) em agilizar a compra de matéria-prima para os trabalhos da Secretaria de Obras.

Ontem, a prefeitura anunciou um aumento no investimento da pasta para aquisição de matéria-prima visando acelerar a recuperação de ruas e avenidas , mas não conseguiu estabelecer uma data para resolver alguns problemas considerados crônicos.

Um dos casos refere-se à ponte Ayrton Senna, interditada ao tráfego há mais de dois anos. Principal e única ligação entre o Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1 (DI-1), a ponte Ayrton Senna custou R$ 491 mil, sendo a maior parte (R$ 300 mil) proveniente de uma emenda ao Orçamento da União, conquistada, coincidentemente, pelo então deputado federal Tuga Angerami em 1990.

Inaugurada um dia antes da eleição de 2000 pelo então prefeito Nilson Costa - candidato à reeleição que acabou vencendo o pleito -, a ponte logo apresentou sérios problemas estruturais e foi interditada em janeiro de 2003. Obras de recuperação da estrutura de concreto começaram em abril do ano passado e já consumiram mais de R$ 233 mil.

Para concluí-la, a prefeitura precisa investir mais R$ 240 mil. O valor refere-se ao custo um aterro envelopado - instalação de camadas de tela sintética que têm a função de diminuir o impacto que o peso da terra provoca nas paredes da ponte - que precisa ser feito nas duas cabeceiras, uma exigência do perito responsável pela obra.

No início deste ano, o secretário municipal de Obras, Fernando Jorge Salomão, disse ao JC que a licitação para este procedimento já estava “sendo preparada”. Consultada ontem, a Secretaria de Obras, através da engenheira Elaine de Cássia Orti de Araújo, disse “não ter informações” sobre a data de abertura da licitação. Por conseqüência, o início da fase final das obras também fica completamente indefinido.

Atualmente, a travessia do rio Bauru é feita através de uma passarela metálica instalada sob a estrutura da própria ponte, mas que só permite a passagem de pedestres e veículos de pequeno porte, como bicicletas e motos. “O Tuga (Angerami) está assumindo agora e tenho esperança que (a obra) vai sair, pois era uma promessa de campanha”, diz o auxiliar de serviços gerais Donizete Aparecido Boniolo.

Morador no Parque Paulista, nas proximidades do DI-1 e funcionário de um frigorífico localizado no Mary Dota, Boniolo utiliza a travessia improvisada todos os dias. “É muito perigoso, pois temos que disputar espaço com as motos. Mas é nosso único acesso e seria ‘bicho feio’ ficar dando a volta”, diz.

Mais bananeiras

Outra situação crítica é a da avenida Gabriel Rabelo de Andrade, no Parque Jaraguá, cujos vários buracos fundiram-se num só, dando origem a uma “cratera” que atrapalha o tráfego da principal via do bairro, atinge calçadas e abriga, atualmente, três bananeiras plantadas por moradores como forma de protesto - ação semelhante foi feita por um morador em um buraco de rua na Vila São Paulo.

A dona de casa Edna Pereira da Silva, 27 anos, moradora no bairro há nove anos, diz que jamais viu situação parecida na região. “A gente vai esperar as bananeiras brotar e vamos vender os frutos para pagar o asfalto”, ironiza a moradora. Ela lembra que a via é rota obrigatória para ônibus circulares e peruas escolares, que só podem utilizar menos da metade da pista.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, técnicos da Secretaria das Administrações Regionais (Sear) já verificaram que a situação no Parque Jaraguá é realmente crítica e não pode ser mais resolvida com uma operação tapa-buracos, sendo necessário o recapeamento asfáltico. Por isso, somente após a conclusão da licitação para compra de materiais será possível colocar a recuperação desta via no “cronograma de urgências” da prefeitura.

Mais investimentos

A Secretaria de Obras anunciou ontem que vai aumentar o investimento na compra de matéria-prima para acelerar os trabalhos nas ruas e avenidas de Bauru. Os números representam um acréscimo médio de 20% na quantidade dos produtos que estão sendo adquiridos, se comparados às compras do ano passado, mas a expectativa é de que os processos sejam concluídos apenas nos próximos 40 dias.

As licitações para este ano, do tipo pregão presencial, já estão em andamento. A Secretaria solicitou a compra de matéria-prima básica utilizada na confecção do asfalto (cerca de 1.000 toneladas de cimento asfáltico, produto usado na operação tapa-buracos, pavimentação e recape de ruas. Estão sendo adquiridos também 20 mil sacos de cimento; 700 metros cúbicos de concreto usinado, de duas especificações, além de diversos tipos de barras de ferro e arame.

Com relação a combustíveis, foram solicitados 60 mil litros de álcool hidratado, 530 mil de gasolina e 1 milhão de litros de óleo diesel. Os recursos estão no orçamento municipal de 2005. A Secretaria de Obras, que tem um orçamento de R$ 10,9 milhões para o ano, espera aumentar a capacidade de investimentos com a captação de recursos através de convênios com os governos Estadual e Federal, e com a implantação do Fundo de Pavimentação formado através da venda de terrenos públicos.

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