Vinte comprimidos de ecstasy, uma droga cara e em Bauru, até agora, rara, foram apreendidos ontem em uma casa no Parque Paulista, juntamente com 240 gramas de crack. Conhecida como a “pílula do amor” porque a pessoa sob efeito do ecstasy fica mais sociável, com uma vontade incontrolável de conversar e até de ter contato físico com outras pessoas, cada comprimido da droga, que é uma dose única, custa de R$ 50,00 a R$ 100,00.
O delegado José Henrique Gomes dos Santos, titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru, conta que desde que está à frente do órgão, há cinco anos, esta foi a primeira apreensão de ecstsay. “É uma droga rara justamente porque é cara”, comenta.
Porém, no ano passado, a Polícia Militar (PM) apreendeu dois comprimidos de ecstasy com uma pessoa em um bar da cidade. Anterior à esta ocorrência, em 2001, o Tático-4 da PM apreendeu outros dois comprimidos da droga com um rapaz envolvido em um latrocínio.
O ecstasy é tão raro que é computado junto com outras drogas no balanço de apreensões da Polícia Civil. No ano passado, em Bauru foram apreendidos 188 quilos de maconha, 92 quilos de cocaína, 7,5 quilos de crack e 4,1 quilos de outras drogas, categoria que inclui haxixe e ecstasy.
A apreensão de ontem foi fruto de uma investigação feita pela Dise por cerca de dois meses e resultou na prisão de um casal, um homem de 40 anos e uma mulher de 35 anos cujos nomes não foram divulgados pela polícia. Eles foram presos por tráfico, crime cuja pena é de três a 12 anos de prisão, e associação para o tráfico (pena de três a 10 anos de prisão).
“Usamos o serviço de inteligência policial, fizemos campana no local e observamos os suspeitos, até identificar os donos da casa e confirmar a suspeita de tráfico”, conta o delegado da Dise.
O casal não informou a origem nem o destino do ecstasy e do crack, mas Santos acredita que ambas as drogas seriam vendidas em Bauru. “Mas pelas investigações que fizemos, esse casal não vendia diretamente aos usuários. Eram intermediários, vendiam no peso. Ou seja, abasteciam pequenos e médios traficantes”, explica Santos.
Crack
O crack apreendido, em três porções, seria suficiente para fazer entre 700 e mil pedrinhas vendidas a R$ 10,00 a unidade, de acordo com o delegado. Além das duas drogas, foram apreendidos um celular, uma balança e cerca de R$ 1,5 mil na casa dos acusados, na rua Ivon César Pimentel. Questionado pelos policiais, o casal admitiu que tinha uma arma, que havia sido entregue a uma terceira pessoa.
Coincidentemente, quando os policiais ainda estavam no local, a pessoa indicada pelo casal, uma moça de 19 anos, chegou à residência. Na casa de um parente dela, a polícia encontrou a arma, um revólver calibre 32. Ela foi presa por porte ilegal de arma. O delegado explica que a investigação continua para tentar esclarecer a origem e o destino das duas drogas.
Entorpecente altera a percepção
O ecstasy é uma das drogas que alteram a percepção - são chamadas de substâncias alucinógenas e provocam distúrbios no funcionamento do cérebro, fazendo com que ele passe a trabalhar de forma desordenada, numa espécie de delírio, informa o site da Secretaria Nacional Antidrogas. No mesmo grupo do ecstasy, estão o LSD e a maconha.
O princípio ativo do ecstasy é o metileno-dióxi- metanfetamina, substância sintética do tipo anfetamina, que produz alucinações. A droga também é conhecida por “pílula do amor”. De acordo com informação do site da Secretaria Nacional Antidrogas, o entorpecente causa sensação de bem-estar, plenitude e leveza, aguça os sentidos, aumenta a disposição e resistência física, podendo levar à exaustão e causa alucinações, percepção distorcida de sons e imagens.
Além disso, aumenta temperatura corpórea e a desidratação, podendo levar à morte. Com o uso repetido, tendem a desaparecer as sensações agradáveis, que podem ser substituídas por ansiedade, sensação de medo, pânico e delírios.