Cultura

Thaíde

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

“Sr. Tempo Bom”, “Corpo Fechado” e “Apresento Meu Amigo” são sucessos do rap brasileiro que poderão ser ouvidos hoje, ao vivo, no show que Thaíde faz no ginásio do Sesc Bauru, às 21h.

Considerado um dos pioneiros do hip hop nacional, ele promete para a noite desta quarta-feira, além de músicas consagradas, outras mais atuais. É o caso de “Caboclinho Comum”, que acompanha em CD o livro “Pergunte a quem conhece: Thaíde”, de César Alves. A obra, que será lançada em Bauru amanhã, conta a história de Thaíde, que se confunde com a do surgimento do hip hop no País.

O rapper sobe ao palco ao lado do DJ Spaiq, que o acompanha há cerca de dois anos. “Será um show de hip hop tradicional. A música mais nova será a do livro”, adianta Thaíde, em entrevista concedida por telefone ao JC Cultura.

O ano de 2005 deve marcar a carreira do músico, que também é apresentador da MTV. É que ele pretende lançar, antes de 2006, seu primeiro disco solo. “Depois de muitos anos, o disco novo já está no forno”, anuncia. Thaíde tem oito discos lançados em sua carreira, todos em parceria com DJ Hum - seu antigo companheiro de trabalho. O último deles foi “Assim Caminha a Humanidade”, de 2000.

Para ele, a carreira solo é uma fase de amadurecimento. “Sem dúvida nenhuma está sendo bom para minha carreira. Não estou fazendo um trabalho para agradar ninguém. Estou fazendo o que eu gosto, o que eu penso e o que eu gostaria de passar para as pessoas”, frisa.

Liberdade é outra palavra que define o atual momento de Thaíde. “Está sendo bom porque eu tenho liberdade de pensamento, de opinião. Além disso, eu posso convidar quem eu quiser para fazer participações no disco”, acrescenta.

Mas, durante a parceria com DJ Hum, o rapper não tinha liberdade? “Somos seres humanos e cada um tem uma maneira de pensar. Houve discussões e desentendimentos várias vezes, mas esse não é o motivo pelo qual eu tenho trabalhado dessa maneira. O importante é que agora eu faço minha música da maneira que eu penso e sinto”, revela.

O rap desta nova fase de Thaíde se apresenta com muito de música brasileira. “Eu tenho misturado com música brasileira. Sem dúvida nenhuma, é ela que enriquece o músico em termos de ritmo”, enfatiza.

As influências são inúmeras. Ele faz questão de dizer que ouve de tudo. “Eu tenho milhares de influências. Ontem, eu estava ouvindo Roberto Carlos, Ataulfo Alves, Tim Maia e outras coisas. É isso que enriquece o meu talento”, acredita.

Já as letras trazem um pouco de agressividade. “Agressiva sim, mas não incoerente. Nem violenta. As letras contam muitas coisas pelas quais eu passei, muita coisa que eu estou vendo, muitas intrigas. É um disco um pouco nervoso. Fala de amizade, falsidade, luta, lealdade. Eu tenho muita coisa a falar enquanto pulsar a jugular”, rima.

Thaíde ainda não sabe se o disco será lançado de forma independente ou através de gravadora. Ele admite que, se receber uma boa proposta, ela será avaliada. Do contrário, será independente. “A gente conseguiu mostrar para as grandes gravadoras, de maneira até surpreendente, que eles entendem muito de burocracia, de papéis, mas que existe um mercado paralelo. Existe outro tipo de música que eles não conheciam ou não botavam fé”, alfineta.

Na opinião dele, a pirataria ocorre por culpa da própria indústria fonográfica. “Elas têm de respeitar mais o artista e o público, que não tem condições de pagar o que eles querem. Se continuar assim, a pirataria nunca vai deixar de existir. Está na hora de eles começarem a lançar a nossa música”, critica.

Serviço

Show do rapper Thaíde, hoje, no ginásio do Sesc, às 21h. Os ingressos custam R$ 10,00 e R$ 5,00 (matriculados, estudantes e maiores de 60 anos). Amanhã, às 14h, será realizado o lançamento do livro “Pergunte a quem conhece: Thaíde”, na área de convivência do Sesc. A entrada é gratuita. Outras informações podem ser obtidas através do telefone (14) 3235-1750.

A obra

Não há como contar a história de Thaíde sem falar sobre o surgimento do hip hop no País. Essa foi a tarefa que o jornalista César Alves encontrou ao decidir escrever a biografia do rapper, publicada em dezembro passado, em São Paulo. “Pergunte a quem conhece: Thaíde” (Labortexto) será lançado em Bauru amanhã, às 14h, na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc) Bauru.

O livro é dividido em três partes: “Senhor Tempo Bom”, “Vamos que Vamos” e “Pode Crer”. Na primeira, o autor escreve sobre os primeiros contatos de Thaíde com o movimento rap. Na segunda, conta como se deu a união e formação da dupla Thaíde & DJ Hum. “Pode Crer” mostra um lado mais íntimo do rapper, junto a amigos como Nelson Triunfo, Sabotage, e sua vontade de desfazer um desafeto antigo com o carioca Gabriel O Pensador.

Enfim, o livro conta a trajetória dele desde a época em que era b. boy, na década de 80, passando pela fase de MC, rapper, VJ e inspiração biográfica.

Altair Gonçalves, o Thaíde, 37 anos, crescido no bairro de Vila Missionária, na periferia da zona sul de São Paulo, expõe a história e faz considerações sobre o movimento artístico-social de maior alcance entre os jovens pobres da sociedade em que vive.

O livro vem acompanhado de um CD com uma música inédita do rapper – “Caboclinho Comum” – que, aliás, é a primeira gravação de Thaíde após a dissolução da dupla Thaíde & DJ Hum. (TS)

Serviço

“Pergunte a quem conhece: Thaíde”, de César Alves, editora Labortexto, 150 páginas, lançado em 2004.

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