A construção de um barracão de 6 mil metros quadrados, com pé direito de 9 metros de altura, cujas obras já começaram e devem ser entregues em menos de cinco meses, representará a etapa inicial de um ambicioso projeto do Banco do Brasil (BB) de transformar Bauru na sede nacional de todo seu arquivo de documentos, atualmente guardados em vários centros espalhados pelo País. A previsão é de geração de vários empregos.
O gerente regional de Logística do BB em Bauru, José Geraldo Trevisani, anunciou ontem ao JC que o prédio em construção na Vila Aviação B, nas proximidades do antigo trevo da Eny, deverá abrigar a totalidade do arquivo de documentos do banco do Rio de Janeiro. O imóvel que está sendo construído por um investidor bauruense, cujo nome não foi revelado, será locado ao BB.
Nesta primeira etapa, também virão para Bauru os arquivos de documentos de todas as gerências regionais do Estado de São Paulo - além de Bauru, há gerências em Ribeirão Preto, Campinas e Capital. O arquivamento deste material é necessário pois boa parte necessita de guarda “ad eternum”, ou seja, os originais precisam ser preservados por tempo indefinido pois a Justiça, em algumas questões, não aceita cópias microfilmadas.
O material de Ribeirão Preto será guardado juntamente com um arquivo que o BB já mantém em Bauru, no Jardim Cruzeiro do Sul, mas os documentos provenientes de Campinas e da Capital vão requerer a construção de um prédio semelhante ao que está sendo erguido na Vila Aviação B.
“O barracão que está sendo construído será o primeiro de três ou quatro necessários para atender toda a demanda. Assim que terminarmos a transferência do material do Rio, começamos a construir um segundo barracão nas proximidades do primeiro para abrigar o material de Campinas e da Capital”, adianta Trevisani. O prédio que abriga o arquivo carioca do BB será desocupado para virar sede de um projeto social do governo federal ligado ao Programa Fome Zero, chamado Casa Brasil.
A iniciativa de trazer todo o arquivo de documentos do BB para Bauru é uma ação da Gerência Regional local, que apresentou como argumentos favoráveis à cidade a sua privilegiada localização geográfica, no centro de São Paulo, a qualidade de malha viária, que atende a todo o Estado, além da proximidade de entrega do novo aeroporto.
“O Banco do Brasil vê Bauru como uma cidade muito promissora em termos de progresso”, diz o gerente. Também pesou na decisão, destaca Trevisani, o fato de a atual administração municipal ter transferido para o BB a conta da Prefeitura, até então aos cuidados do Banespa/Santander.
Esta proposta de centralização de todo o arquivo de documentos do BB em um único local, que acabou se transformando numa “decisão gerencial” da instituição, explica Trevisani, tem como objetivo principal proporcionar uma gestão mais eficaz deste setor do banco, com a conseqüente redução de custos.
A intenção da gerência regional de Bauru é não limitar sua capacidade de arquivamento aos documentos de São Paulo e Rio de Janeiro, em sim de todos os Estados do País. “Se não for possível trazer o arquivo físico, com certeza toda a gestão deverá ser centralizada em Bauru”, diz Trevisani.
Ele diz que até mesmo o Arquivo Nacional de Segurança do BB, atualmente localizado no subsolo do edifício sede do banco, em Brasília, poderá vir para Bauru. “Esta meta ainda é incerta, mas estamos tentando absorvê-lo também”, completa.
Empregos
O projeto de centralização em Bauru de todo o arquivo de documentos do Banco do Brasil no País deve criar na cidade pelo menos 80 empregos (entre diretos e indiretos), segundo estimativa do gerente regional de Logística do BB em Bauru, José Geraldo Trevisani, que inclui nestes números também os trabalhadores envolvidos na construção do imóvel que abrigará o arquivo.
Tamanha movimentação - só do Rio de Janeiro devem vir cerca de 270 carretas carregadas com mais de 100 mil volumes de documentos - vai exigir a montagem de equipes para gerenciar e operar tais centros.
“Será necessária a contratação de digitadores, copeiros, faxineiros, vigilantes, além da capatazia (carregadores e operadores de empilhadeiras)”, explica o gerente, ressaltando que a maior parte destas vagas será criada através de empresas terceirizadas. Segundo o gerente, estes números deverão subir proporcionalmente ao crescimento de unidades de arquivamento.