O rodízio nos presídios do estado
É fato de que tudo na vida é cíclico, a renovação é necessária para que a estagnação e o comodismo não tomem conta do meio. Apenas a passagem de ano traz para o âmago das pessoas um sentimento de renovação espiritual e perspectivas de mudanças para o próximo ano. Entretanto, em alguns casos a renovação pode ser prejudicial. Às vezes, a máxima do futebol ‘em time que está ganhando não se mexe’ deve prevalecer.
A Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo está com uma proposta de realizar um rodízio entre os diretores de todas as unidades prisionais do Estado, com mais de cinco anos no cargo, incluindo as PI e PII de Bauru. Isso abalaria todo o sincronizado sistema adotado nessas unidades, em especial na PII.
A penitenciária Dr. Eduardo de Oliveira Vianna se destaca entre as demais do Estado por abolir entre os seus reeducandos, facções criminosas, como o famigerado PCC. O trabalho de seu diretor instaurou sobre a PII a ordem em mais de 2 mil sentenciados, com um louvável trabalho de ter acabado com as rebeliões e ter aberto a unidade a projetos sócio-culturais de organizações e universidades locais. Há aproximadamente quatro anos, tive meu primeiro contato com a PII, por conta de um trabalho desenvolvido pelos meus colegas do curso de Jornalismo da Unesp.
Deste primeiro contato, nasceram inúmeras iniciativas que nesses anos contribuíram para a reabilitação e reinserção do encarcerado na sociedade, como o Jornal “Dia de Visita”, produzidos por alunos de jornalismo da Unesp, além dos cursos de produção de texto e de língua inglesa, desenvolvidos dentro do programa de extensão universitária. Há de se ressaltar também o apoio da Secretaria Municipal de Cultura dando suporte técnico e logístico em eventos realizados dentro da PII, sendo o mais recente um evento cultural realizado numa sexta-feira a noite, produzido pelos próprios presos, algo inédito e impensável anos atrás.
Esse trabalho de abertura da unidade prisional devolve aos sentenciados a dignidade e a hombridade perdidas por erros cometidos aqui fora. É fato que são pessoas que cometeram muitas vezes crimes hediondos mas nem por isso, deixam de serem humanos necessitados de respeito. E tudo isso é conseqüência da atual gestão de seu diretor.
Agora será que com esse rodízio, o trabalho que já vem sendo desenvolvido terá sua continuidade cerceada? Ou será que o novo diretor terá discernimento e continuará com esta abertura. É preciso prudência nessas mudanças para que unidades como as de Bauru voltem a ser barris adormecidos à espera de um estopim. (Thiago Brandão - jornalista - MTb: 42.456)