Bairros

Leishmaniose surge em novos bairros

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

O Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, anunciou ontem a confirmação de mais dois novos casos de leishmaniose visceral em humanos em Bauru. Agora, são três os casos registrados apenas neste ano, com uma morte. No balanço geral desde agosto de 2003, quando a doença foi diagnosticada pela primeira vez, a cidade soma 45 casos em humanos (26 deles em 2004), com cinco mortes (três no ano passado).

A novidade no anúncio de ontem é que a doença apareceu em bairros que até então não haviam registrado casos. Um deles, na Vila Giunta, atingiu uma criança de 3 anos; no outro, a vítima foi uma adolescente de 13 anos, moradora do Jardim Jussara. Ambas estão em tratamento no Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo.

Outra curiosidade do fato é que os casos mais recentes indicam uma espécie de “movimento migratório” da doença em direção à região Sudoeste - até então, a leishmaniose apresentava uma concentração mais intensa na região Oeste da cidade.

Segundo a enfermeira Heloísa Lombardi, técnica da Divisão de Vigilância Epidemiológica da DSC, qualquer registro de casos em humanos exige da Secretaria da Saúde uma concentração de esforços nos locais das notificações, com o redirecionamento dos trabalhos de controle da doença.

A Saúde informou que sua equipe de busca ativa de casos humanos está trabalhando no Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16). De lá, segue para a Vila Giunta. Já os 24 agentes que trabalham no inquérito canino (coleta de sangue de cães) estão atuando no Jardim Carolina, onde devem permanecer por mais dez dias. Na seqüência, as equipes seguem para os jardins América e Aeroporto.

Lombardi, porém, rejeita a tese de “migração” da doença para outras regiões da cidade. Segundo ela, a leishmaniose pode aparecer em qualquer lugar que apresente uma situação ambiental propícia à proliferação do mosquito palha, o transmissor da doença, como mato alto, lixo jogado em terrenos e grande população canina, boa parte errante.

“E isso (condições propícias) é uma realidade também nestes novos locais”, disse, lembrando que técnicos do DSC trabalharam no mês passado no Jardim Jussara e Vila Giunta, onde apareceram os dois últimos casos confirmados da doença.

Mesmo assim, Lombardi admite que a situação da doença na cidade é preocupante. “Temos casos positivos em animais espalhados por toda a cidade e infestação do mosquito palha em vários bairros”, diz

Ação intersetorial

Heloísa Lombardi acredita que a melhor forma de se combater o avanço da leishmaniose em Bauru é incentivar uma atuação intersetorial entre as várias instâncias da administração municipal. Ela reconhece que ações realmente exclusiva da área da saúde, mas lembra que as doenças transmissíveis estão, via de regra, relacionadas a problemas com o meio ambiente.

“Não dá para limitar as ações à (Secretaria da) Saúde num caso como esse (leishmaniose), porque a Semma (Meio Ambiente) e a Sear (Administrações Regionais), por exemplo, podem contribuir com atuações de controle das condições que ajudam o mosquito a se proliferar”, defende.

Comentários

Comentários