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Políticas energéticas


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A definição de políticas energéticas passa pela avaliação do desenvolvimento de um país, o que depende da ótica com que esse processo é avaliado. Optar pelo incentivo ou não de determinada fonte energética interfere diretamente no direcionamento das ações de toda a cadeia produtiva, mais do que isso, na forma como sua população irá receber e interagir com seus resultados. Mais do que ser simplesmente economicamente viável, a escolha dos recursos energéticos utilizados pode trazer conquistas ou resultados catastróficos. O Brasil, jovem país de pouco mais de 500 anos, há muito tempo tateia no escuro para desenvolver suas políticas energéticas. Hoje, muito mais do que no passado, a discussão passa também pelas questões sociais, políticas, tecnológicas e, principalmente, ambientais.

O biodiesel é o assunto da moda, por suas vantagens ambientais, facilidade de produção e custo não tão elevado, se comparado a outras fontes combustíveis. O curioso é que o País, há muitos anos, já desenvolveu processo semelhante na década de 80, quando o Governo incentivou o Pró-Álcool e o Pró-Óleo. Na época, o combustível originário da cana-de-açúcar conquistou mais espaço, principalmente por contar com o “lobby” dos usineiros e acabou emplacando. O Pró-Óleo foi esquecido e o processo paralisado. Foi necessária uma nova crise energética para que a movimentação do setor fosse retomada. Agora, implantou-se uma corrida acelerada na renovação da matriz energética brasileira, que por contar com várias fontes de energia, difere-se bastante do padrão internacional. Principalmente pela produção hidrelétrica.

Nesse momento, a opção pelas fontes renováveis, a tendência mundial, “coloca na parede” a produção de energia nuclear, que, apesar de o Brasil possuir reservas significativas de urânio, os problemas e medos são forte aliados contra sua existência. A falta de opção para o destino do lixo nuclear e a gravidade dos acidentes que envolvem este tipo de energia, faz da energia nuclear uma grande vilã. A catástrofe de Chernobil foi suficiente para diversos países abandonarem o uso de energia nuclear, isso sem contar a possibilidade do uso da tecnologia para o desenvolvimento de armas, o que se torna ainda mais assustador.

Para evitar a polêmica, o Brasil evita tocar no assunto Angra 1, 2 e 3, que já consumiu bilhões de dólares em investimento e ainda não emplacou. Talvez, a estratégia seja não abandonar em definitivo e manter os “panos quentes”. Há quem aponte a energia de origem nuclear como a principal fonte para o futuro, quando nem mesmo as fontes renováveis estarão disponíveis. Mas é fato que o investimento já foi feito e o processo está pela metade, sem a conclusão definitiva de Angra 2 e a implantação de Angra 3, o País fica fora do mercado competitivo. Aí fica o impasse governamental. O grupo da área energética é favorável à manutenção do programa nuclear, enquanto o grupo do setor ambiental é radicalmente contra. Na linha “equilibrista”, fica autorizada a retomada de Angra 3, desde que as licenças ambientais sejam obtidas.

O interesse do Brasil em redefinir sua matriz energética mostra um olhar mais crítico e consciente, com reflexos no desenvolvimento do País. É esperado, porém, que antes das tomadas de decisões, as “autoridades” no assunto sejam consultadas e que a pesquisa científica seja incentivada, de forma a garantir, efetivamente, uma retomada no desenvolvimento, sem marketing, mas com ações. Depender de tecnologia estrangeira não é o perfil de um país rico em recursos naturais e humanos. Em processo de aprendizagem, é verdade, mas em crescimento. (A autora, Roberta Mathias, é produtora cultural e jornalista do JC, com especialização em energia)

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