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Vida Severina


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A incompetência do governo vai custar caro para o País. A eleição do deputado Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara poderá comprometer a agenda de discussões e a aprovação de reformas urgentes e necessárias. Lula disse que a derrota foi do PT, não do governo. Severino Xique-Xique, afinal, é da base aliada e, além disso, pernambucano como o presidente da República. Mas, com a degringolada da base aliada, o esquema do presidente é que foi varrido pelo tsunami político. De nada adianta tentar encontrar desculpas para quem estava ausente, em viagem pela Venezuela, com esticada às Guianas, no deslumbramento de menino com seu avião de luxo, brinquedo de US$ 46 milhões.

Os 300 deputados - seriam os 300 picaretas que Lula disse um dia poluírem a Câmara? - que votaram em Severino tiveram a motivação patriótica do reajuste imediato dos próprios subsídios. De R$ 12.720,00 para o teto de R$ 21.500,00 que é o que ganha o presidente do Supremo Tribunal Federal, já acumulada a gratificação pela presidência do Supremo Tribunal Eleitoral. Severino ainda garantiu a continuidade do décimo quinto salário, as férias de 90 dias e as verbas extras que chegam a mais R$ 75.000,00. Prometeu dividir como “entre irmãos” as viagens ao Exterior patrocinadas com o dinheiro público. Tristes trópicos... O efeito cascata dessa orgia financeira é inimaginável. O impacto para os Estados é o que mais preocupa no reajuste dos salários dos deputados. Como a Constituição define critérios de proporcionalidade entre os diferentes poderes e as três instâncias da federação, deputados estaduais e vereadores também vão ganhar mais. Os senadores, os funcionários do Congresso e do Executivo, em todos os níveis, pelo princípio da isonomia também poderão rechear suas contas bancárias à custa do contribuinte.

A imagem que esses deputados passam ao mundo de uma república bananeira é um outro tipo de prejuízo. A idéia que passam, aqui e lá fora, é de um país sem conserto, onde tudo é possível. O que é do povo não tem dono. A alegação cínica do presidente da Câmara, o terceiro homem mais importante da República, é que os inconformados com o aumento poderão devolver a diferença. O PSDB e o PFL também deverão responder perante o Brasil e os brasileiros. Deram grande contribuição para a vitória de Severino. Era o gostinho de vingança contra a soberba do PT. Até aí, tudo bem. O pior é que a sociedade vai pagar caro por essa vingança partidária. O novo presidente, por sinal, está fazendo grande esforço para que sua vitória não perturbe muito o País. Mas suas primeiras entrevistas, calcadas na plataforma de campanha, foram simplesmente lastimáveis. A começar pela idéia esdrúxula de defender a prorrogação do mandato do presidente da República. Já neste final de semana, Severino tentava acalmar os meios políticos e os mercados, quase a pedir que não o tenham como doido. Louco até que é divertido. O desrespeito com a coisa pública é que não dá para agüentar. (O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista e colaborador do JC)

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