Bairros

Pobreza põe zona oeste entre campeãs em mortes

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Pelo terceiro ano consecutivo, os índices de criminalidade da zona oeste estão manchados de vermelho. Só neste ano, duas pessoas já foram assassinadas na região, campeã no ranking de homicídios em 2003 e 2004. À revelia dos números, moradores na área aprendem a conviver tanto com o medo quanto com a precária infra-estrutura dos bairros, alguns deles considerados bolsões de pobreza.

Josias Fernandes, por exemplo, não tem salário. Passa seus dias numa modesta casa de madeira no Núcleo Fortunato Rocha Lima, aguardando a liberação da aposentadoria por invalidez. “Só Deus sabe como eu consigo sobreviver”, diz, indignado com as crateras abertas no rua de terra em frente à residência dele.

A angústia, porém, já foi maior. Aos 25 anos, o filho dele foi morto numa briga. “Ajuntaram uns dez para pegá-lo. Eu sabia que um dia isso ia acontecer. Não dá para criar filho aqui. Não tem jeito, a gente acaba criando bicho. É muita coisa ruim. Tem que criar no sítio”, recomenda.

A educação dos rebentos também é preocupação para Andréia Borges de Oliveira. Mãe de cinco crianças, ela sobrevive no Parque Santa Cândida graças ao Bolsa Família, benefício concedido pelo governo federal a famílias carentes.

“Não posso deixá-los sozinhos porque o bairro é violento. Quando a gente chama a polícia, ela demora para aparecer. Meu marido levou um tiro no peito. Sobreviveu porque conseguimos socorrer. Atualmente, ele está detido. Na chácara em frente, estupraram uma mulher dentro de casa. Por causa de coisas assim, eu levo e busco as crianças da creche”, conta.

Assim como mãe e filhos, criminalidade e déficit social também caminham de mãos dadas. Tanto que, segundo a Polícia Militar (PM), 60% do atendimento prestado pelas viaturas da corporação em locais como este não são típicos de polícia. Em vários casos, essa demanda atrasa ou dificulta o trabalho da PM.

O problema só será revertido quando os índices de desemprego estiverem menores. Essa é a opinião do titular do 1.º Distrito Policial, Ronaldo Divino. “A pessoa empregada tem perspectiva de vida. Sem o emprego, fica desanimada, arquitetando coisas reprovadas socialmente”, opina.

Para o delegado, o ser humano só progride quando tem esperança. Longe dela, a vida se desvaloriza tanto a ponto de homens e mulheres aceitarem a se arriscar por atos ilícitos, diz.

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