A “cobrança de broncas†entre inimigos no bairro Ferradura Mirim fez com que o número de homicídios na região sudeste da cidade aumentasse 50% entre 2003 e 2004. A informação foi confirmada tanto pela polícia quanto por um morador da localidade, onde impera a “lei do silêncioâ€.
Alegando motivos de segurança, até a presidente da Associação de Moradores do Ferradura Mirim, Gisele Moretti, preferiu não comentar o assunto, abordado por uma pessoa que exigiu anonimato. “Já vi muita gente recebendo um pipa (recado). É mio (fala demais) quem recebeâ€, diz.
De acordo com a fonte, cobiçar a mulher alheia, especialmente de quem está detido, é razão suficiente para ser jurado de morte. Do tráfico também podem surgir rivalidades. “Eu respeito os bandidos porque, apesar de tudo, eles têm ética, o que falta por aí. Já vi muito pai de família que trabalhou registrado por mais de oito anos caindo na marginalidade. O problema só vai acabar com educação e trabalhoâ€, comenta.
Até lá, a morte deve continuar rondando os jovens da área. De acordo com o delegado do 4.º Distrito Policial, Dinair José da Silva, a faixa etária da maioria das vítimas de assassinatos no ano passado era inferior a 30 anos. Elas estavam desempregadas e dispunham de pouca instrução. “Não quero jogar a culpa no social porque pode parecer que a polícia está se eximindo. Mas o poder público tem de dotar melhor a área de infra-estruturaâ€, diz.
Para Silva, a iluminação precária favorece os delitos e dificulta o policiamento, que encontra obstáculo ao circular em ruas esburacadas de terra. “Até para intimar fica difícil. Lá, tem gente boa e trabalhadora, mas em 2004 pessoas de bairros violentos migraram para lá. Ali, tivemos quadrilhas que se impunham pela força. Prendemos e apreendemos armas. Deu uma tranqüilizadaâ€, afirma o delegado.
Para reverter os índices de homicídio, Silva ainda defende um novo projeto de ressocialização de presos, pois grande parte retorna em situação ainda pior do que quando foi detida. Muitos deles voltam para o Ferradura Mirim para “cobrar broncaâ€, reitera o comandante da Base Comunitária Sudeste, Willian Carlos Padovini.
“Em números absolutos, a diferença não é tão grande. Os furtos de veículos, por exemplo, foram esporádicos. Mais de veículos velhos, que foram recuperadosâ€, conclui.