Na cidade de Jaú (50 quilômetros a leste de Bauru), a coordenadoria municipal de Defesa Civil vai se tornar adjunta da regional Bauru. Com isso, ela passará a ser responsável por 10 municípios de menor porte daquela região. A informação é do integrante da comissão, Cristiano Ferreira dos Santos. “Jaú vai ser uma microrregional.â€
Para dar agilidade ao trabalho, segundo Cristiano Ferreira dos Santos, novos integrantes estão sendo chamados para compor a defesa Civil. Santos lembra que o mapeamento da cidade com os pontos críticos já foi feito e norteia as ações da Defesa Civil. Através dele, foram constatados e marcados os pontos passíveis de alagamento. “Quando recebemos sinal de alerta da previsão do tempo, sabemos em quais pontos temos que concentrar forças.†Ele frisa que o trabalho da Defesa Civil é uma tarefa para voluntários. “Por isso, é difícil encontrar pessoas que queiram levar adiante esse trabalho. Estamos com uma lista de 300 nomes.â€
O adjunto regional, major Airton Troijo, lembra que em países do primeiro mundo as pessoas se engajam no trabalho sem muita dificuldade. “Lá, eles têm uma cultura de ser voluntário.†Santos lembra que uma campanha organizada pela Defesa Civil para arrecadar alimentos para as vítimas do tsunami incentivou a população a se dispor ao voluntariado. "Durante a campanha, tivemos a oportunidade de falar como funciona a Defesa Civil e as pessoas se mostraram interessadas.â€
O major lembra que ser integrante da Defesa Civil também exige troca de experiência. “Cada Estado tem seu sistema. Os voluntários recebem instruções. Os administradores municipais precisam entender a importância da comissão. O trabalho preventivo sempre é mais lucrativo do que a ação reparadora.â€
Recorde
O número recorde de inscritos no último curso de capacitação de voluntários desenvolvido em Jaú incentivou os integrantes da Defesa Civil, comemora o major Airton Troijo. “Foram 50 inscritos. Todos eles foram cadastrados e numa emergência poderão ser acionados.â€
O curso de Administração de Emergências para Voluntariado habilita seus participantes a agirem em situações que fogem à normalidade. “Nosso período crítico são os três primeiros meses do ano, os mais chuvosos. Sofremos com as inundações e alagamentos,†diz.
Segundo o major, quando o volume de chuva ultrapassa os 70 milímetros ocorrem os problemas. “As galerias não comportam o rio transborda e há alagamentos. Nas áreas críticas, a Defesa Civil se antecipa. A comissão se reúne e traça o plano de ação. Este ano, as pessoas que tiveram suas casas invadidas pela água foram levadas para um local de abrigo que já tinha sido estabelecido anteriormente.â€
Durante as últimas chuvas que afetaram a cidade, muitas doações feitas anteriormente foram utilizadas. “Nós fizemos várias campanhas, uma delas de arrecadação de material de construção. O resultado foi muito bom e com esse material reconstruímos vários imóveis afetados pela água.â€
O bairro mais atingido pelas últimas chuvas foi o Santo Ivo. “Várias residências sofreram com a inundação. O pessoal usou o material de construção doado pela Defesa Civil, muitos receberam até fogão e utensílios domésticos.â€
O problema do bairro, de acordo com ele, foi resolvido. “Foi detectado um problema causado por uma curva de nível de uma plantação de algodão. Antigamente, a plantação era de cana-de-açúcar e a raiz segurava a água. A raiz do algodão não segura e surgiu o problema.â€
A Defesa Civil pode agir em situações de menor porte, desde que seja na prevenção de danos materiais ou pessoais. Recentemente, lembra o adjunto regional, major Aírton Troijo, um caminhão carregado com granito caiu na rodovia, no começo da noite. “A Polícia Rodoviária acionou os meios legais que não poderiam atender de imediato.â€
Prevendo que o granito espatifado e espalhado na pista poderia ocasionar um acidente, a polícia Rodoviária chamou a Defesa Civil. “Nós entramos em contato com a prefeitura que mandou uma retro escavadeira para recolher o material e liberar a pista.â€
Outro caso atendido pela Defesa Civil de Jaú mostrou que, em muitas casos, as possíveis vítimas não têm consciência do perigo. “Tivemos um caso de um muro de arrimo que ameaçava uma residência. O muro caiu durante a madrugada.â€
A defesa Civil foi acionada e chegou ao local e observou que a casa poderia cair sobre as seis famílias que moravam no mesmo imóvel. “Os moradores viram o muro cair e voltaram dormir. Tivemos que tirá-los da casa. Eles não tinham consciência do perigo.†Após vistoria, o proprietário foi orientado a fazer a demolição. A Defesa Civil de Jaú pleiteia verbas para a construção de pontes para evitar inundações, explica Santos. “Estamos pleiteando duas pontes sobre o rio Jaú para facilitar o acesso ao Centro. Nessa região tem o Fórum e já foi palco de alagamento.â€