Cultura

Gênero perdeu força com o grunge

Diego Molina
| Tempo de leitura: 1 min

No início da década de 1990, um rapaz de cabelo loiro desgrenhado e camisa de flanela conseguiu mandar os metaleiros cabeludos – e especialmente aqueles com roupas de oncinha, maquiagem e botas de couro – para debaixo do tapete na indústria musical. Era o Nirvana de Kurt Cobain, que deu voz a uma geração de jovens que não viam sua vida, suas amarguras e problemas nas letras do metal.

As gravadoras souberam apostar no novo movimento que surgia nos Estados Unidos e a invasão das bandas grunge tomou todos os espaços no rock mundial. “Apareceu esse amaldiçoado Nirvana na nossa vida e matou o metal. A partir de 1990, o metal se estagnou e voltou a ser underground”, analisa o professor André Renato Fadel.

Como uma espécie de resposta ao grunge, numa vertente totalmente oposta, o pop adolescente ressurgiu com as Spice Girls e as boy bands americanas, dividindo os adolescentes consumidores de música. “Minha irmã ouvia Spice Girls e eu lutava para conseguir algum disco novo do Iron (Maiden) ou do Helloween”, comenta o publicitário Rafael Prado, que se diz “criado ao som dos discos de metal dos primos”.

Para Prado, os anos 90 foram uma década de confusão e descoberta na música internacional, e o metal, seu gênero de coração, só conseguiu ressurgir graças aos fãs antigos. “As pessoas viram surgir vários fenômenos, mas as cenas tradicionais de metal continuaram fervilhando, mesmo que sem destaque, como na Alemanha e na Noruega. Nos últimos anos, até por conta da Internet, conseguimos buscar essas bandas lá fora, conhecer o que estava acontecendo. Fico feliz por conseguir fazer meus primos mais novos ouvirem Nightwish e Stratovarius, e deixarem de lado Eminem e Limp Bizkit, que são coisas passageiras na música”, provoca.

Comentários

Comentários