Em meio ao horário de maior movimento da avenida Nuno de Assis, por volta das 18h, o ajudante de serralheiro Gilson Nascimento na sua bicicleta tem que dividir espaço com carros, ônibus e caminhões para ir do Distrito Industrial, onde fazia “bico”, para sua casa, no Parque Jaraguá. Durante os 35 minutos do caminho, na falta de uma ciclovia, o acostamento é a única opção para cruzar a avenida. A situação pode mudar se Bauru conseguir verba do Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta, do Ministério das Cidades.
Com o programa, o ministério espera dar melhores condições às pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte para se locomover nas vias brasileiras. Para isso, o governo disponibilizará recursos aos municípios que comprovarem necessidade de obras para o setor.
“Não é somente para facilitar o transporte. É para dar condições àquele que precisa da bicicleta e não pode pagar ônibus”, explica o gerente de Integração de Políticas de Mobilidade da Secretaria Nacional de Transportes e da Mobilidade Urbana, do Ministério das Cidades, Augusto Valiengo Valeri.
Ciente do financiamento, a Secretaria de Planejamento de Bauru pretende aproveitar a oportunidade. “Há dois anos prestamos mais atenção às ciclovias por causa do aumento do fluxo de bicicletas. Queremos implantar outras na cidade”, afirma a arquiteta da Secretaria de Planejamento (Seplan) de Bauru, Maria Helena Rigitano.
Atualmente, Bauru tem duas ciclovias, na avenida Luiz Edmundo Coube, que liga o Núcleo Geisel à Unesp, e na avenida Engenheiro Horácio Frederico Pyles, entre o Distrito Industrial 1 e o Núcleo Octávio Rasi. Esta, de acordo com Rigitano, pouco utilizada.
Segundo a arquiteta, a cidade não pediu recursos até o momento porque é necessário a elaboração de um projeto para solicitar a verba.
“Estamos em início de estudo a ainda não temos previsão de quando enviaremos o projeto”, explica Rigitano. Elaborado em parceria com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), o estudo irá observar quais os lugares que precisam de ciclovias e onde a construção não irá prejudicar o transporte de veículos.
Por enquanto, Rigitano destaca dois pontos, as avenidas Jânio Quadros e Nuno de Assis, locais movimentados e onde a largura da via permite a construção da ciclovia.
A proposta agrada o ciclista Gilson Nascimento. “Aqui tem muito movimento, isso (ciclovia) ajudaria bastante.”
“Eu tenho medo de andar aqui, principalmente por causa da rotatória. Ficaria mais seguro”, acrescenta o estudante Hebert Richard Brito, que também usa a avenida Nuno de Assis como caminho para o trabalho todos os dias.
De acordo com estimativas do Ministério das Cidades, a frota nacional de bicicletas é de 50 milhões. Número considerado alto para os 600 quilômetros de ciclovias do País. Em Bauru, não há estimativas do número de bicicletas.
Boa idéia
Para a Polícia Militar, novas ciclovias ajudariam a diminuir os acidentes com ciclistas em Bauru. Nos últimos quatro anos, a média foi superior a 270 acidentes por ano. Apenas em janeiro de 2005, 14 acidentes já foram registrados.
O comandante do Pelotão de Trânsito, tenente Fabiano Serpa, afirma que em 2004, foram registrados de 267 acidentes, 77 a menos se comparado a 2003, que contabilizou 344. “Mas duas pessoas morreram ano passado e, enquanto houver acidentes, nossa intenção é diminuir”, afirma o tenente.
Programa visa atender ciclista-trabalhador
Lançado em setembro do ano passado, o Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta foi criado para atender ao número crescente de pessoas que usam bicicleta como meio de locomoção. Para este ano, o programa dispõe de R$ 4 milhões, que serão distribuídos às cidades que tiverem projetos aprovados.
“Daremos apoio apenas aos projetos que atenderem pessoas que necessitam da bicicleta para trabalhar ou estudar, não para lazer”, explica o gerente da Integração de Políticas de Mobilidade da Secretaria Nacional de Transportes e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Augusto Valiengo Valeri.
De acordo com ele, os recursos serão liberados a fundo perdido, ou seja, o município atendido não precisa pagar o dinheiro investido. A fiscalização da obra ficaria por conta da Caixa Econômica Federal da cidade.
No Estado de São Paulo, segundo Valeri, Franca já foi atendida pelo programa e cidades como Guarulhos e Rio Claro fizeram solicitação.