Miami é uma festa. Como lá raramente faz frio, acaba servindo de “point” dos norte-americanos do norte, leste e oeste que, entre dezembro e março, fogem da neve e do frio.
Esta é uma das melhores épocas para se visitar a cidade, que num passado não tão distante era um pântano só. Faz parte do programa andar por suas amplas avenidas repletas de palmeiras, pelos calçadões impecáveis, tomar ônibus e sentar nas praças para papear no melhor estilo Forrest Gump - o Contador de Histórias. Aliás, parte do filme que deu o Oscar a Tom Hanks foi rodada lá.
Mesmo quem não sabe nada de inglês pode arriscar um papo maneiro com o motorista. Eles são “glentlemen” por natureza, mais do que treinados para facilitar e alegrar a vida dos velhinhos e turistas que lotam a Flórida.
Os ônibus adaptados estão por toda a parte, são limpos, pontuais e com atendimento nota dez. Os idosos e os deficientes físicos - muitos veteranos da Guerra do Vietnã - sempre têm razão. Podem entrar e parar onde quiserem, transportar o que for comprado no “mall” (shopping center) e até bater boca porque o motorista brecou - mesmo precisando se safar de um carro na frente.
Aliás, o respeito ao indivíduo é um dos pontos positivos da América. Mesmo que você esteja em sua melhor forma física, nenhum automóvel avançará o sinal - embora verde para ele - se colocar os pés e der a entender que vai atravessar a rua.
Por essas e outras razões, Miami atrai tantos latinos que fizeram do Estado a sua pátria. Inclusive bauruenses que têm casas e apartamentos por lá.
Oito horas de vôo ligam São Paulo a Miami, que tem um dos aeroportos mais movimentados do mundo. De gente e aeronaves.
Por servir como conexão para muitos países, incluindo as ilhas do Caribe, os aviões aterrisam e decolam com diferença de segundos.
Esse vai e vem pode ser visto da janela do hotel ou do pier de Bay Side - de onde partem barcos para passeios pelos canais de Miami - naquele acende e apaga constante de luzes.
Há opções diferenciadas de hospedagem em Miami e Miami Beach - que são divididas por pontes - desde os hotéis “inn” que ficam mais distantes do agito, passando pelos motéis - que não têm nada a ver com os nossos voltados para o sexo rápido -, e os “top” de linha, chiquérrimos, como o Sheraton Ball Habbour, que costuma hospedar Bill Clinton, entre outros famosos.
O quente para quem nunca colocou os pés em Miami Beach é ficar em South Beach, no distrito Art Decó, famoso pelos predinhos de três ou no máximo quatro andares, no bairro onde o estilista Versace construiu sua mansão e acabou sendo assassinado. Um deslumbre, principalmente para quem gosta de ver gente bonita, sarada, sem grilos, patinando sem camisa ou simplesmente caminhando com os animais de estimação.
A badalação acontece dia e noite nos bares com mesinhas nas calçadas, nas boates e em volta das piscinas dos hotéis famosos como o Delano, o Shore Club e o The Raleigh, inaugurado há pouco tempo.
Como tudo está concentrado no distrito, não há necessidade de carro hospedando-se lá. Todo mundo caminha, anda de bicicleta, de moto ou de patins pelas ruas onde o vento sopra gostoso. Há lojas e butiques sofisticadas, restaurantes e lanchonetes para todos os gostos e bolsos, tanto na Lincoln Road quanto na Ocean Drive, à beira-mar.
Para quem estiver sentindo falta da comida de casa a dica é se esbaldar de “mouros y cristianos” (arroz cozido no caldo do feijão preto, acompanhado de bisteca de porco) numa das esquinas da Lincoln Road.
Embora não haja divisórias nas ruas, a Ocean Drive, em frente ao mar, recebe públicos ecléticos dependendo do quarteirão. Durante o dia, quando o sol está a pino, a concentração da galera gay ocorre na altura da esquina da rua 14. Já os surfistas preferem pegar onda na faixa da praia que vai da rua 5 para baixo. Nos mesmos moldes do que acontece na avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, ou em qualquer parte do mundo com as preferências recaindo sobre os mais diversos “points”.