Bairros

Escovar dente na escola pode virar lei

Da Redação
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Pastas e escovas de dentes em mãos para escovar os dentes na hora do intervalo, cena já comum nas escolas municipais de Bauru, promete discussão de agora em diante. O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) quer obrigar a escovação diária em todas as escolas de ensinos infantil e fundamental (de 5.ª a 8.ª série) da cidade, tanto as públicas quanto nas particulares.

O projeto de lei que prevê a escovação obrigatória foi publicado na edição de ontem do Diário Oficial do Município. Ainda em análise pela consultoria jurídica da Câmara Municipal, o projeto precisa ser aprovado pelas comissões da Câmara, como, por exemplo, Saúde e Educação, para ir à votação.

Segundo Agostinho, a intenção do projeto é discutir a necessidade da escovação dentária entre as crianças. “Queremos (com o projeto) iniciar uma discussão, tanto com a Secretaria de Saúde quanto com a de Educação, uma maneira de ampliar para todas as crianças um projeto de prevenção que já existe”, explica.

Agostinho, refere-se ao programa de prevenção Sorria Bauru, da Secretaria Municipal da Saúde, que atende escolas municipais da cidade.

Atualmente, este projeto e o Programa de Saúde Bucal, da Secretaria de Estado da Saúde, promovem trabalhos de prevenção que consistem na orientação a alunos e professores de como deve ser feita a escovação e na aplicação de flúor, voltados com mais ênfase para o ensino infantil e para alunos da 1.ª e 4.ª séries do fundamental.

Agostinho afirma que a obrigatoriedade e formas de punição não seriam os pontos principais do projeto, mas sim a criação de meios que incentivem o hábito de higienização bucal diária nas escolas. “A própria prefeitura analisará o que deve ser feito e qual será a melhor forma de implementação.”

Para a diretora da Divisão do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal da Educação Rosângela Redondo Ribeiro, a proposta de tornar obrigatório a escovação nas escolas pode reforçar a atividade que já existe, mas sugere outro caminho. “Acho que se houvesse uma boa campanha de conscientização, a lei não seria necessária”, acredita a diretora.

De acordo com o projeto, crianças da 5ª a 8ª séries também seriam integradas à lei. Público que dificilmente iria aderir à idéia, na opinião de Simone Tereza Teixeira, diretora da escola estadual Cônego Aníbal Difrancia. “Esses alunos já estão grandes, têm outros conceitos e são mais independentes; seria mais difícil de obrigar.”

Teixeira acrescenta ainda que, se aprovada, a lei deveria vir acompanhada de respaldos que garantissem a qualidade da ação, como por exemplo a formação de equipes profissionais para orientar as crianças.

Mesma opinião tem a professora Lauricélia Ribeiro Soares Moura. “Acho a idéia da lei válida, mas precisaria de dentistas para orientar os professores. Mas e as escolas mais simples, de periferia? Receberiam pasta e escova?”, questiona a professora.

Questões como esta Agostinho espera responder quando o projeto entrar em discussão na Câmara.

O dirigente regional do Sindicato dos Estabelecimento de Ensino no Estado de São Paulo, que representa as escolas privadas, Gerson Trevisani, acha que a proposta da escovação de dentes obrigatória na hora do intervalo prejudicaria o andamento do programa pedagógico porque os alunos teriam que ter mais tempo entre as aulas.

“As escolas particulares em geral já fazem acompanhamento dos alunos periodicamente. A finalidade da escola é motivar e conscientizar o aluno sobre a escovação”, afrima Trevisani.

Alunos aprovam

Se para os profissionais da educação a medida requer estudos e cuidados para ser implementada, para os principais envolvidos, os alunos, a questão é bem simples. “É bom porque não fica com mau hálito. E sem a lei ninguém vai escovar”, diz a estudante Patrícia Beatriz Cavassani, da 6.ª série.

Para os alunos da escola infantil Estélio Machado, a idéia não mudaria a rotina, já que escovam os dentes todos os dias. “Não ia ter problema, já escovo mesmo”, conta Gabriel Moraes Souza, do pré.

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