A Fazenda Shangrilá, localizada próximo à divisa entre Bauru e Piratininga, conseguiu junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiamento de R$ 1,3 milhão para investir num projeto de cultura de laranja irrigada por gotejamento. Segundo o gerente de produção da fazenda, Marcelo Lima, é o financiamento de maior valor já liberado para a região de Bauru na área agrícola. Além deste montante, estima-se que mais R$ 1 milhão serão investidos na implantação do projeto.
A grandiosidade da cifra, financiada pela linha Finame Máquinas e Equipamentos, traduz o arrojo do projeto. Para irrigar cerca de 100 mil pés de laranja, a fazenda obteve autorização do Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DPRN) para captar água do rio Batalha.
O enorme reservatório, com capacidade para armazenar 4,5 milhões de água, já está pronto. A adutora, que levará água já adubada aos pés de laranja, tem 2.200 metros de comprimento. Em acordo com o DPRN, a fazenda ficou responsável pela plantação de 30 mil mudas de árvores nas margens no rio Batalha, compromisso que já está sendo cumprido e supervisionado pelo gerente de produção.
“Nós estamos em negociação com o Banco do Brasil desde agosto de 2001, e o financiamento foi liberado no ano passado. O processo de irrigação foi escolhido porque é bem mais viável do ponto de vista econômico. Além do valor financiado, que é exclusivamente para a aquisição de máquinas, o grupo Samaja (proprietário da fazenda) ainda está investindo mais R$ 1 milhão para a implantação do projeto”, detalha Lima.
Do valor total do financiamento (R$ 1,3 milhão), a quantia de R$ 999,5 mil foi adquirida pelo Finame. “Conseguimos seis meses de carência e cinco anos para pagar este valor, com juros de 8,75% ao ano. Para quem atender às exigências do BNDES, que são muitas, essa linha (de financiamento) é muito interessante para os produtores”, indica Marcelo Lima.
Direto para a mesa
A Fazenda Shangrilá já fornecia laranja para a indústria, mas a grande meta agora é o consumo de mesa. Para obter sucesso neste mercado, é preciso ter o produto para oferecer o ano inteiro, e é justamente por isso que a irrigação é o processo ideal para a prosperidade da plantação e dos negócios - além de investir em diversas espécies de laranja.
“O clima foi mudando muito ao longo dos anos por causa das agressões do homem à natureza. Não há mais como prever o que vai acontecer a longo prazo para poder administrar uma cultura de sequeiro (que depende do clima, das chuvas). Hoje em dia, um projeto de fruticultura passa fundamentalmente pela irrigação”, observa o gerente da fazenda.
Outra vantagem para o produtor é que o “mercado de mesa” (venda para o consumidor final) é bem mais lucrativo que o industrial. Por outro lado, os cuidados com a produção devem ser redobrados. “As frutas não podem estar feias, porque a gente começa a comer com os olhos”, aponta Lima.
De acordo com ele, na safra 2004/05 a Fazenda Shangrilá vai colher 80 mil caixas de laranja, sendo 30 mil direcionadas ao mercado de mesa. Pelo padrão, cada caixa pesa 40,8 quilos. As outras 50 mil caixas foram comercializadas para a indústria, numa negociação que gira em torno de R$ 1 milhão.
Com o financiamento do BNDES, além de aumentar a quantidade da produção que sairá dos pomares para ir direto à mesa do consumidor, a fazenda já visa o mercado externo. Os “clientes de mesa” da Fazenda Shangrilá estão espalhados por todo o Estado de São Paulo, Santa Catarina e outras localidades.
Em um galpão construído recentemente, chama a atenção a tecnologia de ponta de motores brasileiros e máquinas importadas, como um equipamento de filtragem israelense. Tudo adquirido por meio do financiamento para a nova etapa de produção da fazenda.
Ao andar pela propriedade, o que se vê são belíssimos pés de laranja, com uma tonalidade de verde nas folhas que parece sair dos quadros de um pintor famoso. Tão bem cuidadas quanto os laranjais são as plantações de banana, palmito pupunha, limão e outras culturas existentes dentro dos limites da fazenda.
Prosperidade
Conforme divulgado em recentes matérias no Jornal da Cidade, o clima, o isolamento de pragas e de doenças típicas dos citros, o baixo preço da terra e a logística são fatores que têm sido decisivos na escolha da região de Bauru para a expansão do agronegócio.
Em entrevista à reportagem, o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e engenheiro agrônomo especialista em fruticultura Aloisio Costa Sampaio disse que Bauru e sua mcrorregião agrícola possuem cerca de 3 milhões de pés de laranja.
Além de tudo isso, dois fatores contribuíram para que, em 2005, os resultados de quem investiu em laranja sejam ainda melhores do que já se previa. Dois furacões atingiram as plantações da fruta nos Estados Unidos, no ano passado, e no Brasil houve quebra na safra.