Bairros

Após 4 meses de sintomas, leishmaniose é confirmada

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O segundo caso de leishmaniose visceral humana em Bauru deste ano e o 30.º desde o início de 2004 foi confirmado ontem. O paciente é um rapaz de 25 anos que mora na Vila Independência e que sentiu os primeiros sintomas da doença há quatro meses. Ele está internado no Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo para tratamento.

O primeiro caso da moléstia na cidade foi registrado em 2003 e o paciente morreu no mesmo ano. Em 2004, três pessoas morreram e neste ano já há o registro de um óbito. O médico Fernando Casquel Monte, que atende a maioria dos pacientes com leishmaniose no HE, credita a demora no diagnóstico da doença após a apresentação dos primeiros sintomas a três fatores.

“Ocorre do paciente não dar muita importância a uma febre, por exemplo, que não venha acompanhada de outros sintomas, e ir levando a doença, assim como do profissional de saúde não reconhecer a leishmaniose. Outro fator que contribui é a desorganização do sistema de saúde, que leva o paciente a uma peregrinação na qual ele não é visto pelo mesmo médico duas vezes”, comenta.

O aposentado Luiz Aparecido Ferreira, morador no Núcleo Édson Francisco da Silva (Bauru 16), um dos bairros de maior incidência da doença, concorda com a análise do médico. “Minha vizinha, que morreu de leishmaniose em maio do ano passado, começou a apresentar os sintomas no final de 2003. Ia de um médico para outro, de um pronto-socorro para outro, e ninguém descobria o que ela tinha. Demorou uns cinco meses para chegar ao diagnóstico”, relembra.

Porém, Monte ressalta que à medida que informações sobre a doença e seus sintomas são divulgados, os médicos fazem diagnóstico mais rapidamente. Mesmo assim, afirma, há pessoas com leishmaniose que são internadas e tratadas como se estivessem com outra doença.

O médico esclarece que o tempo de tratamento da doença, para que o paciente retome sua rotina, varia de pessoa para pessoa, dependendo do sistema imunológico de cada um. “Logo no início do tratamento, o paciente já apresenta melhora. Ao terminar o tratamento, ele já está apto a voltar à vida normal, mas pode ter recaída”, frisa.

Como os sintomas deste novo paciente começaram no ano passado o caso integra as estatísticas de 2004. A Secretaria da Saúde informou ainda que um outro caso da doença que havia sido contabilizado como sendo deste ano, de um paciente do Jardim Jussara, também passou para a estatística de 2004 porque uma análise epidemiológica aprofundada apontou que os primeiros sintomas apareceram no ano passado.

O que é

A leishmaniose é uma doença infecciosa que afeta principalmente cães e humanos. É causada por um protozoário e é transmitida pelo mosquito palha, que se procria em matéria em decomposição.

Em humanos, os sintomas da doença são febre persistente, aumento do abdome, emagrecimento, fraqueza e tosse seca. O tratamento, com drogas que podem causar efeitos colaterais, não é 100% eficaz. O paciente pode ter recaídas. Em doentes não tratados, a doença pode evoluir e causar a morte.

Doença atinge novos bairros

As novas confirmações da leishmaniose reforçam a tendência de avanço da doença para novos bairros da região Oeste, em direção ao Centro e zona sul. Até agora, a região com maior número de casos é a do Núcleo Édson Francisco da Silva (Bauru 16) e Vila Dutra.

A equipe de busca ativa de casos humanos atua na Vila Giunta. Na seqüência, vai se deslocar para o Jardim Jussara e em seguida para Vila Independência. A equipe de coleta de sangue de cães atualmente está no Jardim Redentor, de onde segue para o Jardim América e Jardim Aeroporto.

Continuam sendo realizadas atividades educativas junto à população, em especial o projeto Educação Comunitária das Administrações Regionais (Ecoar), além de palestras e oficinas educativas em geral.

Mesmo com as ações de limpeza de terrenos baldios e orientação aos moradores, organizadas pela prefeitura, o aposentado Luiz Aparecido Ferreira, que acompanhou a doença de uma vizinha, que morreu em maio do ano passado, no Bauru 16, continua com medo. “O povo não colabora, joga lixo em qualquer lugar”, diz.

Morando próximo do bolsão de entulho de Val de Palmas, ele tem mais motivos ainda para temer a leishmaniose. “Neste bolsão é só para jogar sobras da construção civil, mas estão trazendo para cá galhos de árvore e todo tipo de lixo. Até carne vencida já jogaram. São caçambas e até caminhões da prefeitura. Da Semma, vi os caminhões 529 e 530 jogando galhos no bolsão”, critica.

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