Politicando

E... como íamos dizendo!!!


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Aconteceu em Itu. Fins de 1939 ou princípio de 40.

O vigário da paróquia, pe. José Maria Monteiro, ilustre ituano, tinha galgado o posto de monsenhor. Ficara fora da paróquia por uns três meses, pois, no Vaticano, recebeu as insígnias do próprio Santo Papa.

Grande festa de recepção. Todas as autoridades da região lá estavam, aguardando a chegada da “jardineira”, que saía de São Paulo lá pelas 16 horas e chegava em Itu, pontualmente, entre 19h30 às 21 horas. A agência do ônibus ficava a poucos metros da Casa Paroquial, na rua Barão de Itaím (atrás da Igreja Matriz).

Na sacada da casa, altura de mais de um metro acima do nível da rua, se encontravam as autoridades civis, militares (Itu sediava o 4.º Regimento de Artilharia Montada), eclesiásticas e políticas, enfim, representantes da alta sociedade. Na rua, plano abaixo, o povo. Muita gente.

E, ainda, a “Corporação Musical Maestro José Vitório”, bandinha, às vezes, muito desafinada, outras, até que boa. Dentre os oradores que homenageariam o insigne prelado, se encontrava o ilustre político, respeitado (mas em recesso, em virtude da ditadura Vargas), sr. José Pires de tal (me falha a memória seu nome), de ilibada reputação, que só tinha apenas um defeito: ficava furioso quando o chamavam pelo apelido, “Zé Pirucão”. Chegava até às vias de fato se isso acontecesse.

Tomando a palavra, em nome da população católica ituana, brilhante orador, a todo momento era enfaticamente aplaudido. Numa dessas interrupções, com a mesma eloqüência do orador, ouviu-se de um conhecido bêbado, desses contumazes, que perambulava no centro de Itu, assistindo à cerimônia, ali na primeira fila, um veemente: “Muito bem!!! Pirucão!!!” E, com a mesma eloqüência e veemência, a resposta: “Pirucão é a pu.... riu!!!”

Um quase silencioso “óóó...” e, a voz estrondeante de uma das autoridades: “Música, Zé Vitório”; e, de outra: “Rojão... rojão”. Um dobrado, desafinado, ecoou e morteiros ribombaram na noite estrelada de Itu. Enquanto isso, o bêbado era retirado, às pressas, pelos soldados da milícia local.

Terminada a música e o foguetório, retoma da palavra o ilustre orador: “E... como íamos dizendo...”... (contada pelo ituano José Maria Toledo)

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