Quais as explicações que podem ser usadas para se classificar, hoje, nesta etapa de globalização desenfreada, a política econômica mundial? Dir-se-iam obsessivas, baseadas na desmedida aplicação do dólar em todos os campos. Realmente, a obsessão tomou conta da vida da poderosa moeda norte-americana, como se pode testemunhar através dos amplos terrenos por ela assumidos. Não apenas assumidos, mas disseminados, haja vista que sua classificação tem aqui e ali valores os mais variados, com cifras que vão sempre bem distantes.
Não é assim no Brasil, com o dólar subindo a alturas extraordinárias? É, sim, conforme se verifica não só todo dia mas também de manhã, de tarde, igualmente, nas horas noturnas, pois, parece, o dinheiro estadunidense não dorme sono algum, passando acordado, com os olhos abertos e o pensamento gravitando, as longas noites que lhe são permitidas ou são dadas, graciosamente, como percebe a sociedade logo que também se desperta em seus colchões, lençóis e travesseiros. Num instante, o dólar figura com um preço e, noutro, com valor diferente. O brasileiro que “se vire nos 30”, como diz o refrão, não podendo, a todo vapor, adquirir a moeda exatamente como deseja, mas como podem os seus ocultos bolsos. Então, o dólar é ou não é obsessivo na arrogância com que domina as economias em geral, relegando-as a deplorável pequenez, com a qual quase nunca tem a necessária atribuição para importar o que precisa para suas mais vitais necessidades, inclusive alimentícias, que permitam sufocar sua fome ou afugentar o seu frio? A imprensa trouxe ontem amplo noticiário sobre o grande problema, mencionando os avanços da moeda sobre a vida de nossa gente e, também, dos outros povos, por ela infelizmente castigados.
Dessa forma, até onde irá a nossa caminhada? Terá um dia o necessário epílogo? É a nossa opinião. (O autor, Nadyr Serra, jornalista responsável do JC, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado). “Senhor, às vezes, sequer fazes as coisas sozinho. Não precisas da gente. Então, que todos aprendam a lição dos prédios, sem ser andaime, humilde, mas necessário, também na construção da vida, do mundo e da civilização”.