Tribuna do Leitor

Situações diferentes


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O sr. Arce Moreira, em carta nesta coluna (28/1), sob o título “Instituto de Educação Caetano de Campos/SP”, invoca a mudança da famosa escola em razão da construção da estação do metrô, em paralelo à pretensão do vereador João Parreira endossada pelo prefeito Tuga Angerami, em fechar a Escola Estadual “Ernesto Monte”, para instalar no prédio órgãos administrativos da prefeitura municipal.

O ilustre jornalista Zarcillo Barbosa, em artigo no JC (30/1), sob o título “Saco de maldades”, afirma que a diferença do IEE “Ernesto Monte” com o IEE “Caetano de Campos”, é que nenhuma estação do metrô está sendo construída nos seus subterrâneos.

Oportuno rápida história referente à famosíssima Escola Normal “Caetano de Campos” de São Paulo. A escola foi inaugurada em 1894, construída pela visão social dos estadistas da época. O prédio era símbolo de um novo regime que se iniciava, a República, representando a nova maneira de pensar o futuro do Brasil.

Os recursos para a construção do majestoso edifício para ser uma escola de formação de professores, têm aspecto inusitado. Originalmente, os recursos foram coletados para a edificação da Catedral. O governo revolucionário republicano, de inspiração positivista, desinteressado de construção de templo, aplicou os recursos angariados numa campanha popular para a Igreja, na construção da Escola Normal.

No final da década de 1970, o prédio do IEE “Caetano de Campos”, foi ameaçado de demolição pelo metrô de São Paulo, quando da construção da estação República. A ameaça da demolição foi contida por uma mobilização da sociedade, mas uma ação não muito clara e funesta, não foi impedida.

O prédio deixou de abrigar o IEE “Caetano de Campos” e passou a sediar a Secretaria da Educação do Estado com toda a sua estrutura meio de rede do ensino estadual e o Conselho Estadual de Educação. A resistência à demolição do prédio reuniu as forças da sociedade de 1978. Mas, o patrimônio não é apenas o edifício histórico, é também seu uso, tanto como parte da cidade.

O significado de um edifício vai além de sua construção. Pergunta-se: o que significa o edifício de uma escola? Se em 1894 o edifício da “Caetano de Campos” simbolizava os ideais recém-vitoriosos da República, que ideais simbolizam hoje os nossos prédios escolares? O distrito República é hoje o mais denso no que diz respeito à moradia de toda a República da Sé. Uma escola na região não seria obsoleta, ao contrário teria-se um equipamento que poderia ser muito bem aproveitado e desfrutado do local e da cidade, é o que se constata.

A Escola Normal “Caetano de Campos”, deslocada do prédio da Praça da República para o qual foi construída, passou a funcionar no novo prédio construído pelo governo do Estado, localizado na rua Pires da Mota, 9-9 (Aclimação), denominado “Caetano de Campos 1”, e “Caetano de Campos 2”, funciona no antigo prédio da Escola Alemã, próxima da Praça da República, prédio adquirido e reformado pelo Estado.

Como se constata, situações bem diferentes entre uma e outra escola: “Caetano de Campos” e “Ernesto Monte”. Continuo defendendo a reativação do ex-Instituto Estadual de Educação “Ernesto Monte”, transformando a Escola Estadual “Ernesto Monte” de hoje, em Instituto Superior de Educação Estadual “Ernesto Monte”, para atendimento do que dispõe o artigo 63 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, inclusive, por força da extinção do Cefam (Centro Estadual de Formação do Magistério). (Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério estadual.

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