Tribuna do Leitor

Sem moralização política não se consegue atenuar a criminalidade


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É uma vergonha para nós brasileiros termos de assistir cenas de banditismo e atrocidades, em total desrespeito à vida humana, como esta, da qual resultou o assassinato da missionária Irmã Dorothy Mae Stang.

Até parece que estamos no Iraque, e não no Brasil, o país da liberdade, onde habita um povo pacífico e acolhedor. Matar friamente uma senhora que vinha há anos trabalhando no sentido de elevar as condições sociais de uma infeliz faixa social, que ainda se debate no sofrimento e na miséria, é um crime hediondo, revoltante. Afinal, o que leva essa gente, cometer um crime tão desprezível quanto este?

Só podemos crer, seja a ambição. Não do homicida; porém, daqueles marajás ambiciosos, que se infiltram na política, com o intuito de se apoderar das reservas naturais, das quais aquela região é rica. Com isto, dão azo, a que outros indivíduos degenerados, que os rodeiam, pratiquem os mais hediondos crimes, a fim de se acutilarem em sua ânsia de enriquecimento ilícito. A verdade, é que muitos “políticos” (entre aspas) que se postam em altos cargos administrativos, não possuem um mínimo de qualidade moral, que os habilite ao exercício do cargo que ocupam. Esquecem os princípios de dignidade, pelos quais deveriam nortear seus deveres.

Às vezes até governadores e magistrados se corrompem, levados pela ambição. Há pouco, naquela região, um governador e sua esposa, que ocupava alto cargo no Poder Judiciário do seu Estado, foram apanhados, envolvidos em comprovado desfalque aos cofres públicos, do seu próprio Estado. Daí, processados e julgados, sendo após, afastados dos cargos. Não sabemos se a punição foi complementada, porque no Brasil, as figuras que se fazem proeminentes, não chegam sofrer uma justa e real punição. O manto corporativista, não o permite.

O mais conhecido como improbo governador do Pará, aliás, até apontado pela população daquela área como o “rei dos grileiros”, é o senador Jader Barbalho, que mais liso que bagre ensaboado, continua na política, como nada tivesse a lhe manchar a reputação. Protegido por um poderoso grupo corporativista, seu processo se arrasta por décadas, sem solução. Com isto, os crimes passam a prescrever, e ele irá chegar à ancianidade, como o honrado senador brasileiro, pelo Estado do Pará.

Este senhor não só se tornou, como fez dos amigos e correligionários os maiores latifundiários do Pará.

Embora a especialização desses marginais, seja a grilagem de terras, por vezes se desviam para crimes mais hediondos. Tornam-se parceiros e protetores de astutos traficantes. Daí, se o parceiro diz: é preciso matar aquela freira, porque ela está atrapalhando nossos negócios, o “manda-chuva” determina a seus asseclas: matem-na!

Esta é a triste e vergonhosa realidade brasileira, onde pessoas honestas e de elevado civismo, estão sendo trucidadas, por grileiros e devastadores das florestas.

Isto devemos ao nosso arcaico arcabouço político, que oferece oportunidade aos improbos, criminosos e desonestos, se infiltrem na política administrativa da nação, aboletando-se em cargos públicos de responsabilidade, para os quais não possuem dignidade e nem competência. O sistema político no Brasil, precisa ser reformulado, exigindo-se dos partidos, inteira responsabilidade, pelos atos indignos, afrontosos e indecorosos, dos seus adeptos e correligionários. Afastar da política ladrões, grileiros, desonestos e imorais. Precisamos manter na política brasileira, um filtro de dignidade, a fim de não permitir, o acesso das escórias. (Áureo Corrêa de Souza)

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