Bairros

Iniciativas resistem às dificuldades

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

Se depender da vontade dos ambientalistas e da disponibilidade de recursos financeiros, os projetos de recuperação da mata ciliar dos córregos da bacia do Rio Bauru terão continuidade, apesar dos “ataques” promovidos através da interferência humana. Mesmo com uma perda estimada de até 30% do trabalho já realizado, as organizações não-governamentais (ONGs) Instituto Ambiental Vidágua e Fórum Pró-Batalha já se mobilizam para novas ações.

No final do ano passado, a principal fonte de recursos para este tipo de projeto, o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), destinou R$ 470 mil para a recuperação de trechos da mata ciliar do rio Batalha e dos córregos Água da Ressaca e Água da Forquilha, todos em Bauru, num total de mais de 50 hectares. O Fehidro é um fundo alimentado por dinheiro proveniente dos royalties pagos pelas empresas energéticas de São Paulo ligadas à geração.

A maior parte destes recursos foi destinada ao Fórum Pró-Batalha porque, além do projeto no rio que lhe dá nome, a entidade também vem trabalhando há algum tempo na recuperação das margens do Ressaca. Com os novos recursos, o Fórum fará a recuperação no trecho compreendido entre o cemitério Jardim do Ypê e a avenida Comendador José da Silva Martha.

O coordenador de projetos do Fórum Pró-Batalha, engenheiro agrônomo David Geraldo Pompei, explica que a verba a fundo perdido foi obtida a partir da aprovação de projetos encaminhados pelas ONGs aos Comitês das Bacias Hidrográficas (CBHs) Tietê-Jacaré e Tietê-Batalha. As ONGs, por sua vez, se comprometem com uma contrapartida de investimentos de 25% do valor destinado.

A aprovação dos projetos das ONGs bauruenses foi possível porque o reflorestamento é a segunda prioridade dos comitês, perdendo apenas para o tratamento de esgoto. Apesar de Bauru ainda não destinar corretamente seus dejetos, a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) a partir de projetos encaminhados aos comitês seria inviável.

Isso porque, mesmo com um volume de recursos de três vezes maior que o do ano passado - cerca de R$ 61 milhões para ser rateado entre os 21 comitês do Estado - o secretário-executivo do CBH do Tietê-Batalha, Lupércio Ziroldo Antônio, diz que o valor do bolo destinado para este comitê deve ficar em torno de apenas R$ 1,4 milhão. E a ETE tem um custo estimado de R$ 60 milhões.

Os comitês são órgãos descentralizados, formados pelo Estado, sociedade civil e municípios. Compete a eles promover debates e articular atuação de entidades nas questões relacionadas aos recursos hídricos e aprovar planos de recuperação da bacia.

Ação no Forquilha

O Instituto Ambiental Vidágua, por sua vez, iniciou no mês passado um projeto de recuperação de áreas degradadas, através do plantio de matas ciliares, nas margens do córrego Água da Forquilha. O objetivo principal da ação é recuperar e prevenir problemas erosivos constantes na área, que são decorrentes da falta de cobertura florestal e pelo uso inadequado do solo. Além disso, a concentração de esgoto, entulhos, favelas e ocupações irregulares das Áreas de Preservação Permanente (APPs) contribuem para os problemas ambientais da região.

O secretário executivo do Vidágua, Ivan Alexandre Ferrazoli De Marche, explica que o projeto vai controlar as erosões e assoreamentos do córrego através de ações de reflorestamento de 14 hectares de matas ciliares, com o plantio de 25 mil mudas nativas, que são produzidas, em sua maioria, no próprio viveiro da instituição. Ao todo, serão 18 meses, entre construção de cerca para proteção do local, preparo do terreno, plantio e replantio das mudas.

De Marche lembra que o plantio de mudas nativas além de controlar erosões, também atua na revegetação, criando cinturões verdes entre os bairros abrangidos, como Terra Branca, Jardim Solange, Jardins do Sul e Shangrilá.

Como a área do córrego envolve propriedades particulares, o secretário do Vidágua aponta para a necessidade de conscientizar os proprietários. “Vamos explicar que os 30 metros de distância do córrego devem ser preservados, e precisamos contar com a parceria dos proprietários para não permitir a invasão das áreas e preservar o local”.

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