A deficiência norte-americana em reconhecer diferenças e especificidades nacionais e culturais resultaram na derrota política dos EUA no Iraque, apesar da vitória militar. Mesmo assim, a imposição de um “american way of freedom” não dá trégua, mesmo sendo repelida por parcelas cada vez mais ativas da opinião pública mundial. O embate não pára por aí. Ele é revigorado com a movimentação de países que tentam limitar a hiperpotência americana.
Esse novo cenário geopolítico é abordado pelo professor titular de história moderna e contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva, em entrevista concedida ao JC.
Doutor em história pela Universidade Livre de Berlim, coordenador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente e autor, entre outros, da “Enciclopédia de Guerras e Revoluções do Século XX” e do “Século Sombrio” (a ser lançado no próximo dia 16), ele também trata de outras questões relevantes. O contra-ataque da Rússia frente à não-contrapartida do governo Bush é uma delas. Na entrevista a seguir, o professor também analisa as condições para o retorno das negociações entre Israel e Palestina pós Arafat e a invasão da onda conservadora pelo mundo Ocidental.
Jornal da Cidade - Qual é o realinhamento geopolítico do momento, tendo em vista, claro, a política externa norte-americana e fenômenos socioeconômicos como o da China, por exemplo? Francisco Carlos Teixeira da Silva - O mapa geopolítico oriundo da vitória aliada em 1945 foi definitivamente superado. Primeiro: com o fim da URSS e a 1.ª Guerra do Iraque em 1991 e, mais tarde, com a irrupção em grande escala do novo terrorismo mundial, em 11 de setembro. A grande dúvida se constitui em torno da questão: o que vemos hoje nas relações internacionais é uma nova ordem mundial e veio para ficar? Ou estamos num período intermediário, de gestação de uma nova geopolítica? Na verdade, temos hoje uma ordem mundial que procura se impor: globalização, unilateralismo dos EUA, multiplicação de conflitos bélicos e do terrorismo, em suma, um grau bastante elevado de insegurança e imprevisibilidade. Como disse o poeta Caetano Veloso “há algo fora da ordem na ordem mundial”.
JC - Essa nova ordem tem sofrido resistências? Silva - Esta nova ordem mundial é fortemente rechaçada por parcelas cada vez mais amplas e ativas da opinião pública mundial, como podemos ver nas megamanifestações que acompanham cada reunião da OMC, do G-7 ou do Fórum Econômico de Davos. Da mesma forma, multidões rebelaram-se contra as razões apresentadas pelos norte-americanos para a guerra de 2003 contra o Iraque. “Em meu nome não”, era o lema em Madrid, Berlim ou Londres, e o Fórum Social Mundial, cujo lema foi exatamente “Um Outro Mundo é Possível”, se afirma como consciência crítica mundial desta nova ordem. Podemos crer, assim, na emergência de um novo sistema nas relações internacionais, buscando mais segurança para todos.
JC - Que tipo de segurança ? Silva - Segurança implica em várias dimensões. Um limite para o excedente de poder dos EUA - uma ONU refundada e acordos regionais, por exemplo -; controle do terrorismo, já que sua completa derrota é impossível; controle dos fluxos de capitais especulativos, que ameaçam países inteiros; combate à fome e às pandemias, como a aids, além é claro, de garantias dos direitos humanos e a conservação do planeta. Neste sentido, num cenário em torno de 2030, talvez, possamos ver – como propõe a Agencia Goldman Sachs - uma constelação de países novos – os chamados BRICs: Brasil, Rússia, Índia e China – limitando e impondo acordos em face da hiperpotência norte-americana.
JC - Poderá, em curto prazo, haver um novo antagonismo geopolítico, como o que marcou o Século XX, entre EUA e URSS? Ou ele ficará circunscrito ao campo econômico? Silva - Já vimos nos amplos debates que precederam a invasão do Iraque, em abril de 2003, um desenho de oposições políticas centrado principalmente em diferentes compreensões do que é e de qual é o papel do direito internacional e das instituições internacionais no mundo globalizado. Naquela ocasião, alguns dos principais países da Europa – França, Alemanha -, bem como a Rússia e China Popular opuseram-se claramente às noções de guerra preventiva e de limitação da soberania das nações defendidas pelos EUA. Hoje, exatamente, o presidente Bush em viagem pela Europa, tenta reparar os estragos daí oriundos – a chamada “brecha atlântica”, ou seja, a separação entre EUA e os seus aliados da Europa.
JC - Mas não será uma tarefa fácil. Silva - Em países como Rússia, China Popular, Índia e, mesmo entre nós brasileiros, permanece uma forte sensação de apreensão em face da facilidade com que se faz o recurso à guerra por parte dos EUA. Assim, é bastante possível, num cenário hipotético, que a Europa e o Japão continuem alinhados e dependentes dos EUA, enquanto países emergentes, ainda uma vez os BRICs, surjam como uma constelação de potências médias em expansão com interesse em limitar o unilateralismo americano. Na verdade, o G-3 – grupo de países organizado pela nova diplomacia brasileira, com a Índia e a China inicialmente – seja o embrião de uma “rebeldia” contra a imposição de uma “pax americana” sobre o planeta.
JC - Como fariam isso? Silva - Cabe a tais países descontentes com o multilateralismo americano buscar forças junto à sociedade civil mundial, aos diversos movimentos altermundialistas visando legitimar e ampliar suas demandas em direção ao mundo mais justo. Da mesma forma, cabe a esta emergente sociedade civil mundial, esta imensa constelação de ONGs, de sindicatos, igrejas, grupos profissionais, étnicos e militantes de gênero e raça, abandonar uma postura de desconfiança e de descrédito perante a política e ao Estado-Nação. Neste sentido, o último Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, foi um importante passo à frente, com o nítido retorno da política enquanto ferramenta de mudança do mundo.
JC - O que o senhor acha da postura da Rússia no momento? Para onde caminha o país de Putin? Pode-se dizer que ele é um gigante adormecido e também candidato à polarização com os EUA? Silva - Temos que pensar a Rússia numa perspectiva histórica, como um ator global no grande jogo das relações internacionais. Vejamos: a Rússia foi batida no século 18 pelos suecos e retornou em força; no século 19, foi invadida e humilhada por Napoleão e em seguida tornou-se uma das potências dominantes no mundo; no século 20, foi invadida e destruída duas vezes pela Alemanha (Primeira e Segunda Guerras Mundiais, a partir de 1914 e 1939 ) e em seguida ressurgiu como superpotência, pós 1945. Por sua situação geográfica, a extensão e o grau de criatividade de sua população, seus recursos naturais e a persistência de sua elite dirigente, a Rússia é um agente global permanente. Depois do desastre de 1991 e dos terríveis “anos Yeltsin”, a Rússia conseguiu reorganizar sua economia, com permanentes índices positivos, e consolidar suas instituições, numa versão entre a democracia e o autoritarismo, permitindo ao país ressurgir como uma força coerente no cenário mundial.
JC- É um contraponto, então. Silva - Nos últimos anos assinou a Rússia um amplo tratado chamado Tratado de Shangai com seu antigo adversário, a China Popular; além disso criou estreitos laços com o Vietnã, conseguindo um ponto de apoio no Sudeste Asiático e com a Índia, antigos aliados que haviam sido abandonados por Yeltsin. Agora se dirige ao Irã e Síria, fornecendo armas e tecnologia, na exata contramão dos interesses americanos na região. Além disso, testou com sucesso, no dia 24 de dezembro do ano passado, uma nova geração de mísseis – o SS27-Topal M - que desafia e inutiliza o chamado escudo anti-mísseis em construção nos EUA. Para os novos países emergentes – como Brasil, Índia e China –, o retorno da Rússia ao cenário mundial é bastante bem-vindo. Um mundo unipolar, dominado por uma potência com um excedente de poder – como os EUA com um orçamento militar de US$ 430 bilhões -, é um fator desestabilizador de qualquer equilíbrio internacional e pode bem gerar o contrário de seus objetivos: obrigar adversários a se dotar de armas de destruição em massa visando evitar um ataque preventivo. Este seria, por exemplo, o caso da Coréia do Norte.
JC - Por qual razão a Rússia estaria transferindo tecnologia nuclear ao Irã? É uma maneira de fazer frente aos norte-americanos? Silva - Desde a presidência Yeltsin, a Rússia havia estabelecido alguns “limites” para a colaboração com os EUA. Por ter apoiado a Guerra contra o terrorismo de Bush, cooperado intensamente com os americanos na Guerra do Afeganistão, desde 2001, e mantido um perfil baixo na questão do Iraque – além de manterem um amplo fluxo de petróleo e gás para o Ocidente -, os russos contavam que os americanos apoiariam seus interesses específicos. Assim, para Moscou, o chamado “exterior próximo”, ou seja, os ex-estados membros da URSS, era uma área estratégica. Os americanos desconheceram tais interesses.
JC - Desconheceram de que maneira? Silva - Não só trouxeram para dentro da OTAN – a aliança militar controlada pelos americanos – ex-estados soviéticos ou satélites, como os países bálticos e a Polônia, como ainda intervieram largamente em países de interesse direto dos russos, como recentemente no caso da Ucrânia. Além disso, os americanos denunciaram o Acordo de Limitação de Armas Balísticas, na crença que os russos não teriam nem meios financeiros nem meios tecnológicos de resposta militar adequada. O que já vimos, anteriormente, ter sido um grave erro da América. Assim, os russos entenderam que haviam sido cooperantes sem quaisquer contrapartidas americanas. Neste sentido, os russos autonomizaram sua política externa, mostrando a Washington que são parte fundamental do grande jogo estratégico mundial e que devem ser consultados e seus interesses considerados.
JC - O que significa a retirada de todos os acampamentos da Faixa de Gaza e quatro da Cisjordânia? O recente diálogo entre Israel e os palestinos com a posse de Abu Mazen é indício de que o conflito será ao fim ou a suposta aproximação pode ser considerada mais uma das tantas tentativas inócuas? Silva - O importante, no momento, é que o processo de paz na região se moveu. Foram quatro anos de paralisia, desde o fracasso das conversações de Camp David, ao final do governo Clinton, em 2000, e eclosão da segunda intifada, há quase quatro anos. O custo foi elevadíssimo, com milhares de mortos dos dois lados, além da destruição maciça da infra-estrutura palestina, gerando desemprego, pobreza e dor. A retomada das conversações, depois da morte de Arafat, representa claramente o fracasso da estratégia Bush/Sharon para a região, depois de 2001, em especial após o 11 de setembro. Para Bush, tratava-se de inverter a tradicional abordagem americana do conflito: em vez de envolver-se em longas e complexas negociações entre as partes, Bush procurava atingir, destruir ou paralisar os países árabes que apoiavam a resistência palestina, tais como Iraque, Síria e Irã, visando amedrontar e paralisar a resistência palestina. Enquanto isso, Sharon – com o mote” não há com quem negociar do outro lado” - batia fortemente na Autoridade Palestina, destruindo suas condições físicas de existência. Assim, com os palestinos exaustos e sem aliados, ao fim de algum tempo, seriam obrigados a fazer as concessões exigidas.
JC - Mas as coisas não ocorreram como o planejado... Silva - Ocorre que as coisas não fluíram como se esperava em Washington e Tel Aviv. A segunda intifada causou graves danos à imagem de Sharon como garantia de segurança, com o terrorismo avançando para o interior do Estado de Israel (Haifa, Tel Aviv). Em algumas regiões ocupadas – Gaza, onde 8.000 colonos vivem em meio a uma população de 1.300.000 palestinos – os custos da ocupação – financeiros e em vidas humanas – tornaram-se por demais elevados. Além disso, a invasão do Iraque redundou na ampliação do terrorismo e não na sua contenção. Assim, aproveitando-se da morte de Arafat, criaram-se as condições de retorno das negociações num amplo reconhecimento de que a criação de um Estado Palestino é o primeiro passo para a pacificação de todo o Oriente Próximo.
JC- Qual é a causa real do conflito Israel-Palestina? A questão se restringe apenas ao problema territorial ou existem outros interesses? Silva - A questão territorial é chave, não há dúvida. Existe um componente emocional, religioso, de retorno ao texto bíblico, que faz com que muitos israelenses pensem todo o conjunto Israel+Palestina (mesmo mais ao norte, no Líbano e ao Sul, no Sinai) como a terra prometida por Deus aos seus ancestrais. Existe, ainda, o componente água, um elemento raro e fundamental em toda região. Israel teme enormemente deixar suas fontes hídricas nas mãos de inimigos, como no caso da Cisjordânia e no Sul do Líbano. Entretanto, grupos mais modernos e menos “históricos” no interior de Israel, apostam claramente num processo de paz que culmine na transformação de Israel numa plataforma de tecnologia e serviços para o mundo árabe.
JC - Mas como seria possível? Silva - Um tal projeto, só seria possível com a paz assegurada com os palestinos. Para isso, Sharon precisa fazer profundas mudanças em sua base de poder, abandonando os setores ultra-nacionalistas no pacto de governo – quase todo montado sobre um frágil equilíbrio com os partidos religiosos – e buscar alianças mais modernas com os trabalhistas de Shimon Peres. A capacidade de Sharon operar tais mudanças decorrerá largamente da ação interna em Israel, mas também da ação dos grupos resistentes como o Hamas e a Jihad Islâmica.
JC - Os EUA estão, no momento, sem saída no Iraque? É legítimo tentar impor “democracias” pelo mundo afora? Silva - A invasão do Iraque tornou-se uma operação de alto risco, cara – no seu sentido financeiro e em vidas humanas – e sem uma saída política que seja plenamente favorável aos EUA. Tudo aponta para a formação de um governo religioso, de hegemonia xiita, que teria grandes restrições em face do Ocidente e, em especial, de Israel. É muito possível que a Charia – o código jurídico de origem islâmica - seja imposta ao país e que o Islã, e não a vontade do povo, sejam considerados a fonte das leis pela nova assembléia nacional. Neste sentido, podemos afirmar que os americanos fracassaram no Iraque, perderam não militarmente, mas tiveram uma derrota política, tal qual aconteceu a exatos 30 anos no Vietnã.
JC - A vitória se transformou em derrota? Silva - O objetivo de uma guerra é sempre político, e as vitórias militares podem se transformar em derrotas políticas, como aconteceu no Iraque, atingindo a imagem americana (mentira sobre as armas de Saddan Hussein, rejeição da população local, ações contra os direitos humanos, escândalo da prisão de Abu Graib, etc).Vemos que os americanos têm uma deficiência crônica em usar um “olhar antropológico” capaz de reconhecer diferenças e especificidades nacionais e culturais. Assim, transformam seus objetivos e a compreensão deles num bem universal de exportação. Para alguns povos, numa ambiência cultural diversa, liberdade pode ter um sentido totalmente estranho ao que os americanos chamam de liberdade. Assim, a imposição de um american way of freedom é apenas uma forma de imperialismo cultural, na melhor das hipóteses, e poderá gerar profundo mal-estar em partes do mundo que não se constituíram através dos processos históricos que geraram o Ocidente industrial moderno.
JC - Qual seria a intenção embutida neste discurso? Silva - Vemos aí, claramente, uma tentativa de reconfiguração do mundo à imagem da América. Evidentemente, a margem de erro, com suas conseqüências desastrosas, cresce de forma exponencial. O mundo não ficou mais seguro com a política de exportação da liberdade de Bush. Dois pontos são constantes nos discursos da atual administração americana: o livre mercado e a livre circulação de bens e capitais.
O livre mercado pode também trazer desemprego e insegurança, além do impacto da globalização em termos de desindustrialização, aviltamento de preços – principalmente de preços agrícolas e de matérias-primas - , o que atinge grande número de países pobres.
JC - E o Irã? Por que estaria na mira de Bush? Ou não está? Silva - São vários os fatores presentes na questão iraniana. Como vimos antes, o Irã apóia e financia uma parcela importante da resistência palestina, como por exemplo o movimento guerrilheiro do Hezbollah no sul do Líbano. Além disso, o Irã possui um arsenal de mísseis – Shihab, com alcance de 1.300 km – capaz de ameaçar Israel e diretamente a central nuclear de Dimona, considerada o principal escudo defensivo do país, com seu arsenal de mais de 200 ogivas nucleares.
JC - Então tornou-se um risco para Israel? Silva - Na obsessiva noção de segurança de Israel – que possui uma explicação clara na história da perseguição dos judeus, da Inquisição até o Holocausto -, o Irã é o maior risco hoje existente para a segurança do Estado de Israel. Da mesma forma, o Irã desafia a liderança americana na região, onde a maioria dos países é cliente dos americanos (Arábia Saudita, Emirados árabes, Egito ou Turquia), baseando-se em suas imensas reservas de petróleo. Assim, no projeto de Bush de reconfiguração política do Oriente Próximo, o Irã é um forte entrave.
JC - A onda conservadora que ajudou Bush a retornar à Casa Branca pode se alastrar pelo Ocidente? Silva - Na verdade, já vemos isso hoje. E este é um dos temas centrais em meu livro “O Século Sombrio”, onde procuro marcar a tremenda contradição entre avanço técnico e ruptura ética e moral que marcou o século 20. Temos muitos exemplos trágicos, como os genocídios, muitas vezes baseados em falsas suposições científicas de superioridade racial. Mas possuímos também exemplos mais tortuosos como a campanha contra o uso de preservativos – na era da aids. A ação do Vaticano na África tem sido lamentável. Em face da terrível epidemia, Roma insiste em proibir e desacreditar o uso de preservativos em nome de um dogma que se sobrepõe ao valor da vida humana. Da mesma forma, surgem inúmeros movimentos contra o aborto, inclusive em casos de estupro e de má formação congênita. É estranho como algumas instituições e pessoas se propõe ma ser juízes de situações que não lhes tocam diretamente: o caso recente de uma mãe obrigada a manter a gravidez de uma criança anencefálica é bem prova disso.
JC – Existe ainda o problema da homofobia. Silva - O mesmo ocorre em relação a união civil de gays e lésbicas, muitas vezes impossibilitando o acesso de pessoas a seguros médicos e levando bens adquiridos em comum para as mãos de pessoas estranhas à relação afetiva e de companheirismo desenvolvidas por tais parcerias. O espancamento recorrente de gays, por exemplo, em São Paulo, bem como de mendigos e índios um pouco por todo o Brasil mostram uma assustadora ascensão de valores de gênero, classe e raça que se querem superiores à própria condição humana.
JC - A Alca e o Mercosul podem coexistir? Silva - Não, no desenho original proposto em Miami em 1994, o Mercosul tornar-se-ia sem sentido e sem objetivos. Por isso, a posição brasileira, negociando uma Alca “cruzada”, na qual os diferentes objetivos, patamares de desenvolvimento e interesses nacionais seriam respeitados, é uma proposta indispensável ao País. Uma união aduaneira “aberta”, sem critérios preestabelecidos, poderia gerar um impacto desindustrializante, gerando mais desemprego e perda de expertise já acumulada em áreas de ponta de ciência e tecnologia. Devemos programadamente construir um projeto de incorporação do Brasil na ordem mundial globalizada, de forma consistente e de acordo com os interesses nacionais.