Regional

Família agrega cunhada e sobrinhos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A família de Edson Rufino Sales, morador da favela Baiano Bomba, no Distrito de Potunduva, tem uma composição diferente das tradicionais. É acrescida de uma irmã da mulher dele, que é separada e três filhos. O quarto filho dela está a caminho. Eles ocupam um barraco de dois cômodos e um banheiro.

Oito pessoas, sendo seis crianças, dormem no mesmo quarto. “No período noturno, é um tal de jogar colchão no chão para acomodar os filhos e sobrinhos”, conta a mulher de Edson, Patrícia Dalpino, 23 anos. A situação coloca a privacidade do casal na estaca zero. “Não temos privacidade nenhuma”, confessa.

A única renda é do marido dela, um lavrador. “Nós não temos condições de pagar aluguel. Acredito que na casa vamos ter mais infra-estrutura. As crianças vão ficar menos doentes, porque aqui o córrego passa no fundo da casa e está poluído com esgoto.”

Para Natalina Aparecida de Oliveira, moradora da favela São Vicente I de Agudos, deixar o local não é uma boa. “Eu tenho um bar aqui que sustenta a família na entressafra. Quando eu mudar vou perder o ganho.”

Ela explica que construiu o barraco com madeiras ganhas e que sofre mais no frio. “No calor, falta ventilação; nas baixas temperaturas sobram frestas e o frio castiga mesmo, ainda mais que estamos próximos ao córrego.”

A lavradora Maria Aparecida de Deus acha que a hipótese de mudança ainda é remota. “Faz anos que a prefeitura fala nisso, mas a obra nem começou. Não estou acreditando muito que esse conjunto habitacional vá sair do papel.”

Ela diz que as dificuldades são muitas. “Quando chove, a água entra por baixo da casa e por cima, porque o telhado foi malfeito. As tábuas estão podres e temo que numa tempestade possamos ficar desabrigados.”

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