Cultura

Cursos gratuitos revelam artistas

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Filho de um vigilante e uma dona de casa, até pouco tempo atrás Thiago Vinícius Baldone, 15 anos, nunca se imaginaria como um profissional do ramo da música. Foi graças a um curso gratuito que ele conheceu seu primeiro instrumento - a flauta doce - e ingressou no mundo do som. Hoje, o rapaz é integrante da Banda Municipal de professor de música.

Thiago despertou para a música em 2001, através de um curso gratuito promovido pela comunidade do Núcleo Mary Dota. Na oportunidade, ele teve as primeiras noções de notas musicais e escalas, entre outros conceitos, e descobriu ali um hobby que futuramente lhe traria bons frutos.

De curso em curso, muitos deles realizados no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva, da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), o adolescente subiu alguns degraus em sua vida. Hoje, ele, que mora no Mary Dota, é trompista da Banda Municipal e ministra aulas de flauta doce como voluntário na associação de moradores de seu bairro.

“Assim como eu tive a oportunidade de crescer na música, eu estou dando oportunidade para outras pessoas seguirem em frente através de cursos gratuitos”, justifica Thiago, que não tem outros planos profissionais e pretende seguir carreira como músico.

Roberto Vergílio Soares Júnior, 14 anos, é colega de Thiago e tem uma história semelhante à dele. Hoje ele também é integrante da Banda Municipal, como violinista, e teve essa oportunidade através de cursos gratuitos que freqüentou.

A diferença é que Roberto já tinha afinidade com instrumentos musicais desde criança porque seu pai é músico. Já tocou trompete, flauta transversal, piano e saxofone, entre outros. Hoje, ministrando aulas de música como voluntário, ele procura oferecer a outras pessoas chance semelhante à que ele teve.

“A música abre sua cabeça para pensar. “Ajuda em muitos aspectos da nossa vida. É uma chance que muita gente não tem. Se mais pessoas tivessem, o mundo estaria bem melhor”, acredita.

Em Bauru, órgãos públicos como o Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva e a Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes oferecem à população a chance de ter contato com artes e desfrutar de conhecimentos culturais gratuitamente, ou mediante taxas simbólicas (veja quadro nesta página).

“Eu não tenho dúvida de que as pessoas que têm a oportunidade de vivenciar um curso ou uma experiência na área da arte saem modificadas”, avalia Maria Terezinha Machado, diretora da Divisão de Ensino da SMC.

Entre as atividades oferecidas gratuitamente no Centro Cultural, estão cursos de balé, jazz, artes cênicas, desenho, cerâmica, violão e guitarra. Qualquer interessado pode participar. As inscrições são semestrais e, portanto, serão reabertas em junho.

De acordo com a diretora de divisão, a secretaria de Cultura não consegue atender toda a demanda já que é grande a quantidade de pessoas que procura as atividades, que são gratuitas.

Já na Oficina Cultural, os interessados podem participar de cursos e oficinas mediante o pagamento de uma taxa de R$ 10,00 ou R$ 5,00 (estudantes e aposentados). Como a demanda também é grande, a seleção é feita através de uma carta de interesse.

O público, segundo Marcelo Graziani, responsável pelo órgão estadual, varia de universitários a pessoas de baixa renda que não poderiam pagar pela atividade. “A pessoa pode testar seu interesse pelas artes, tomar gosto e possivelmente direcionar sua vocação profissional”, supõe.

“Atendemos a todos os gostos - desde a dona de casa que tem sonho de cantar, até o universitário que busca especialização”, frisa.

Outra possibilidade para quem quer procurar atividades culturais fora da sala de aula o Programa Escola da Família, desenvolvido nas escolas da rede estadual aos fins de semana. Qualquer pessoa da comunidade pode participar - não necessariamente alunos - gratuitamente.

“Temos vários cursos voltados à área cultural - teatro, dança, coral. Com as atividades, eles descobrem do quê eles gostam”, expõe Vera Jarussi, dirigente regional de Ensino.

Os três Núcleos de Apoio Sócio-Familiar (NAFs) de Bauru também são alternativas. Embora ofereçam atividades mais voltadas à geração de renda, também dispõem de aulas na área cultural. É o caso da unidade do Parque Jaraguá, que tem cursos de street dance e artes plásticas. “A partir dessas atividades, muitas pessoas que vêm aqui descobrem a identificação com a arte”, revela a estagiária Janaína Nunes.

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