Tribuna do Leitor

Bar ou abstinência da razão


| Tempo de leitura: 2 min

Será que os bares, ao serem obrigados a fechar numa determinada hora, este fato por si só contribuiria para a diminuição dos índices de violência em nossa cidade?

Bobagem, mesmo porque bar não é sinônimo de violência, tampouco a sua causa. Evidentemente que um bar entre residências, ou ao lado de uma escola, ou igreja, ou mesmo hospital, por razões óbvias não é o ideal e também está longe do recomendável. No entanto, seria ingenuidade imaginar que pelo simples fato do bar fechado as pessoas que apreciam beber não iriam fazê-lo, mas por certo iriam beber noutro lugar.

Ademais, tal projeto de lei tem um viés autoritário (antidemocrático); é seletivo (será que os bares da zona sul também irão fechar, ou somente o botequim da periferia); e também denota um certo preconceito ou falso moralismo (puritanismo), mas, o pior dele, é que de fato não resolverá em nada o problema (já que a premissa é falsa e a suposta solução idem) e de quebra, pode ocasionar dois outros problemas que são o desemprego no setor, e a diminuição das opções de entretenimento e por que não dizer de convívio social que um bar pode proporcionar.

Portanto, associar bar em relação direta e intrínseca com a violência não é apenas um equívoco, mas também uma idéia etilicamente incorreta (porre ideológico). Também, sem um bar aberto nas altas horas, o que iriam fazer nossos intelectuais e a esquerda boquirroto cevada? E a direita etílica politicamente correta? E o que fariam também aqueles que querem descasar e os que não querem se casar? E as meninas e meninos maus das famílias boas, o que estes fariam?

Ironias à parte, evidentemente que um bar não é somente isso e tal projeto requer de nossos legisladores uma visão mais ampla da questão com todas as suas implicações sociais, e “destilando” ironias independentemente do vereador ser abstêmio ou não, lhe caberá votar com sobriedade e bom senso, mesmo porque alguém já disse que “político é como vinho, existem safras e safras”.

De qualquer forma, o Ministério da Saúde adverte: beba com moderação! (Aurélio da Silva Braga - RG 12.912.493)

Comentários

Comentários