Regional

Ácido clorídrico vaza na Rondon

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos – Parte de uma carga de mais de 36 mil litros de ácido clorídrico vazou ontem de um caminhão-tanque na pista marginal da rodovia Marechal Rondon em Agudos (18 quilômetros a sudeste de Bauru). O produto, altamente corrosivo, começou a vazar no estacionamento de um posto de combustíveis no quilômetro 337, de frente para a cervejaria da AmBev (Companhia de Bebidas das Américas).

O motorista Celso de Souza, 41 anos, estava checando os pneus, após almoçar no restaurante do auto-posto, quando percebeu o vazamento às 11h30. Ele conta que tirou o caminhão do local e buscou um ponto isolado, distante cerca de 300 metros do posto.

Os técnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb-Bauru), que acompanharam o acidente, estimaram que vazaram de três a quatro mil litros de ácido clorídrico, de um total de 36.830 litros transportados em dois tanques-carreta. A substância química se espalhou por cerca de 100 metros do canteiro que separa a via marginal da pista sentido Capital-Interior da Rondon. Uma equipe de segurança da cervejaria jogou no local contaminado cal para neutralizar o ácido clorídrico.

Das 12h30 às 14h45, o trecho da via marginal ficou interditado pela Polícia Rodoviária. O contato do ácido clorídrico com o ar formou uma espessa nuvem ao redor do caminhão. Além do mau cheiro, o efeito da evaporação da substância provocava irritação nos olhos e nas vias respiratórias de quem tentava se aproximar. O engenheiro da Cetesb, Gilberto Gonçalves, ressaltou que os gases não eram tóxicos.

Segurança

Por vota das 16h30, uma equipe da SOS Copec, empresa especializada em transporte de produtos perigosos, do município de Americana, iniciou a operação de transferência da carga de ácido clorídrico para um outro caminhão. A empresa ainda aplicou outra camada de cal na área do canteiro afetada pela substância. Hoje pela manhã, seria iniciado o trabalho de descontaminação do solo com a raspagem da terra para remoção dos resíduos. Conforme a engenheira da Cetesb, Flávia de Vasconcelos Figueiredo, a operação de limpeza ficou prejudicada ontem, no início da noite, pela escuridão no local.

O trabalho de contenção visou evitar a possibilidade de que o ácido se infiltrasse nas camadas profundas do solo e atingisse o lençol freático. De acordo com o 2.º tenente da PM de Agudos, Juliano Francisco Antonio Xavier, a fábrica da Ambev capta água de um rio próximo da área do vazamento. Por isso, a rápida mobilização da equipe de segurança da empresa.

Uma equipe do Corpo de Bombeiros de Bauru, especializada no manuseio de produtos perigosos, fez a verificação das condições da carreta e procedeu ao isolamento da área.

O delegado titular de Agudos, Eron Veríssimo Gimenes, vai requisitar os laudos da Cetesb e da Polícia Técnica para avaliar o impacto no meio ambiente. Ele explicou que, se constatado o dano ecológico, será instaurado inquérito policial para apurar a responsabilidade e os prejuízos acarretados ao meio ambiente. O motorista prestou declarações ontem ao delegado e foi liberado.

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