Grande parte do funcionalismo público votou em Lula na esperança de um reajuste em seus vencimentos, congelados então havia oito anos. No ano passado, o governo federal concedeu míseros 1% de correção salarial aos servidores – àqueles que realmente servem, trabalham, pois a “elite” do funcionalismo é formada pelos detentores de altos cargos, como ministros, secretários, titulares de “cargos de confiança” e todos aqueles, também servidores, que andam de olho comprido num substancial aumento de 67%.
Esta é a verdadeira elite a que Lula sempre se refere pejorativamente, ou ao menos preconceituosamente, em seus discursos; uma elite imprestável, a julgar pelo descaso e omissão com que são tratados os problemas nacionais, especialíssimamente as questões sociais e das liberdades democráticas; além do constante desrespeito à Constituição. Neste ano de 2005, propuseram os atuais condutores dos nossos destinos não um aumento, mas uma esmola, um gracejo: 0,1% de aumento! Cabe aqui a expressão popular: “Fala sério!”.
Será que ainda há alguém suficientemente ingênuo a ponto de acreditar que a gestão de Luiz Inácio é minimamente séria? Alheio a tudo, sem paciência com os trâmites do dia-a-dia, pois o que gosta mesmo é de visitas, jantares, viagens e apupos, joga nas mãos de gente como José Dirceu, autoritário, grosseiro, a gerência geral da nação.
Um “bando”, como gosta de dizer sua excelência, de ministros incompetentes, incongruentes, teóricos; alguns dos quais parecem ter vindo de Marte, dada a maneira como falam frases desconexas, argumentos pífios, desonestos, sempre agredindo a realidade com seu palavreado esotérico, permanentemente na defensiva a encobrir as próprias falhas e os desatinos verbais do chefe.
José Dirceu, sempre exagerado, sempre pegando pesado, no estilo trator, diz que a oposição quer desestabilizar o país - quem ainda dá crédito às suas palavras? -, e o brilhante Tarso Genro alega que uma ação contra Lula (o intocável) seria uma aventura, quando ele mesmo, Tarso, chegou a defender que FHC abdicasse da presidência, convocando eleições extraordinárias em 1999, falando em uma “possível” crise institucional; numa espécie de delírio - ou talvez mero teatro -, exatamente como faz agora, com intenções inversas.
Se alguém contribui para desestabilizar o País é o próprio presidente, quando elogia o Movimento dos Sem-Terra (MST), endossando, assim, suas ações criminosas.
O presidente da República deve, sim, ser responsabilizado por sua inconseqüência, mas talvez encontre um aliado no peito do seu traidor; é bem possível que o presidente da Câmara, o já famoso Severino Cavalcanti, mande engavetar qualquer pedido de impedimento de Luiz Inácio; se não ele, o prestimoso presidente do Senado, Renan Calheiros, a exemplo de José Sarney, que obsequiosamente obstou a CPI do Waldomiro. Definitivamente, o governo de Lula e do PT não é para ser levado a sério, simplesmente porque não fala sério. (O autor, Luiz Leitão, é administrador e articulista)