Polícia

Após 4 anos, presos fogem da Penitenciária 2 de Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O ciclo de quatro anos sem registrar fugas alcançado pela Penitenciária 2 de Bauru foi interrompido ontem à tarde, por volta das 17h. O detento Severo Santiago dos Santos, 29 anos, conseguiu escapar e, por pouco, iria acompanhado. Edson Luiz Oliveira, 26 anos, só não fugiu junto porque foi baleado durante a empreitada. O caso marcou o primeiro dia de trabalho do novo diretor da P2, Hélio Bonsaglia, empossado na última sexta-feira.

Quando o expediente dele estava chegando ao fim, os dois presos que trabalhavam na fábrica instalada dentro da penitenciária pularam para cima do telhado da oficina, saltaram a muralha e chegaram ao alambrado externo, cujo arame foi cortado com dois alicates e dois arames, informa a Polícia Militar (PM).

Neste momento, de acordo com o boletim de ocorrência registrado posteriormente, um agente de escolta e vigilância penitenciária tentou contê-los verbalmente. Sem resposta, efetuou dois disparos de advertência em direção ao chão. Mas como a repreensão não teria sido suficiente para inibir a ação, um dos detentos foi atingido na perna. O outro conseguiu fugir.

Até o fechamento dessa edição, Santos não havia sido localizado e Oliveira recebia atendimento no Pronto-Socorro Central (PSC), que não informou seu estado de saúde, nem confirmou o local do ferimento e a quantidade de perfurações. Antes de ser assistido por médicos do município, o preso alvejado teria recebido os primeiros socorros no interior da penitenciária. Somente cerca de meia hora após os disparos, ele foi conduzido ao PSC.

Enquanto isso, os agentes de escolta e a PM fizeram um cerco para tentar localizar Santos na mata que circunda a P2. De acordo com o comandante da 3.ª Companhia da PM, capitão Flávio Jun Kitazume, aproximadamente 25 homens da corporação participaram da operação, que contou com o apoio do helicóptero da PM.

“A busca vai prosseguir. A PM também vai auxiliar os agentes de escolta a encontrá-lo próximo à P2. Na área urbana, fica por nossa conta”, diz Kitazume. O detento é natural de Bauru e estava cumprindo 38,8 anos de pena por roubo e furto. A ação dele e de Oliveira será apurada pela Polícia Civil, que recolheu as armas de dois agentes de vigilância, já que um segundo também efetuou disparos de advertência ao chão, informa o delegado Antônio Augusto de Campos Lima.

O caso ainda será alvo de sindicância interna aberta pela P2, esclarece a assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária. O resultado será encaminhado à Corregedoria Administrativa do Sistema Penitenciário.

'Coincidência'

O fato da P2 registrar uma fuga depois de quatro anos justamente no primeiro dia de trabalho do novo diretor, Hélio Bonsaglia, não passou de coincidência. Pelo menos essa é a posição tanto da assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária quanto de funcionários da unidade ouvidos pelo JC.

No entanto, a conexão das duas coisas é inevitável porque o rodízio entre diretores das unidades prisionais de todo o Estado de São Paulo sofreu resistências. Graças a ele, Bonsaglia deixou a P2 de Avaré para assumir a de Bauru. Já seu antecessor, Aerton Alves de Assis, foi transferido para P2 de Balbinos.

O troca-troca levou os funcionários das penitenciárias a procurar o deputado Pedro Tobias (PSDB) para tentar impedir as mudanças, que vieram à revelia das solicitações.

“Foi muito rápido para ser uma reação. O novo diretor já disse que não vai mudar nada. Só se o cara que fugiu ficou com medo de vir alguém do Primeiro Comando da Capital (PCC), por exemplo. Ou estava jurado de morte”, comenta um servidor, que pediu para ter a identidade preservada.

Porém, o coordenador das Unidades Prisionais da Região Noroeste do Estado, Antônio Paulo Veroneze, já ressaltou em entrevista concedida ao JC na semana passada que não haverá alteração no perfil dos presos da P1 e P2 e na forma de administração.

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