Os fabricantes de ovos de Páscoa se desdobram para atrair e conquistar o consumidor. Cores, formas e sabores diferentes tomam conta dos supermercados, mas na hora da compra, além do preço, o que vale é o tamanho. Neste quesito, os ovos médios ficam em desvantagem. Tendência no segmento, há pelo menos dois anos a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) aponta para a preferência dos ovos pequenos ou maiores.
“Tenho três filhas, uma enteada e sobrinhos, então compensa comprar ovos de Páscoa menores”, explica a supervisora de telemarketing, Vera Cristina Cardoso.
Ela reflete o comportamento de quem quer adaptar o tamanho do bolso ao tamanho dos ovos de chocolate. O gerente de compras de uma rede de supermercados de Bauru, Paulo Sanches confirma que há cinco anos os ovos menores, de até 140g, e os maiores, de 660g, são os mais procurados nas lojas.
“No período da ‘pré-Páscoa’, os menores saem mais; é para matar a vontade das crianças. Mais perto da data, os maiores vendem mais, daí para render para a família toda”, explica o gerente. Segundo ele, no ano anterior apenas 3% dos ovos negociados sobraram. Destes, a maioria eram ovos de, em média, 350g; praticamente nenhum pequeno sobrou.
Apesar dos olhos dos consumidores estarem atentos aos ovos pequenos, os olhares dos empresários do setor visualizam rendimentos maiores do que os do ano passado. O presidente da Abicab, Getúlio Ursolino Netto, afirma que foram produzidas este ano 19,5 mil toneladas de ovos de Páscoa. Isto significa que cerca de 110 milhões de ovos estão no mercado nacional. A venda deles poderá render faturamento na ordem de R$ 525 milhões este ano, R$ 20 milhões a mais do que no ano anterior.
O gerente Paulo Sanches acredita que haja aumento de 20% na venda de ovos, tabletes e bombons em relação a 2004, o que pode elevar o faturamento deste setor em cerca de 25% em cada uma das três lojas da rede na cidade.
Para atender a demanda, o gerente de compras de outro supermercado da cidade, Marcos Renato Lourenção, acrescentou três mil unidades a mais de ovos de Páscoa ao estoque este ano. “Temos 25 mil ovos e até agora já vendemos 15%. Esperamos aumentar as vendas em 10% em relação ao ano anterior”, estima. Ao lado dos ovos, Lourenção acredita que bombons e barras de chocolate tenham acréscimo de 20% nas vendas.
Mais baratos
Para atrair os que desejam economizar e não ligam para os nomes famosos, redes de supermercado apostam em marcas pouco conhecidas e em produtos de fabricação própria. Em alguns casos, a economia pode chegar até a 50% em relação aos produtos de marcas tradicionais, segundo as duas redes ouvidas pela reportagem.
Há cinco anos os produtos próprios de uma delas vêm ganhando destaque nas vendas. Nesta Páscoa, espera-se que 25% a mais de chocolates sejam vendidos. Desta porcentagem, 10% ficariam por conta das marcas próprias.
Preços
Para as indústrias, os ovos custaram 10% a mais este ano. Aumento, porém, que não vai chegar integralmente nas prateleiras dos supermercados, garante o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Getúlio Ursolino Netto.
Segundo o gerente de compras Marcos Renato Lourenção, o repasse na loja em que trabalha variou entre 3% e 5%. “O repasse foi pouco. O consumidor está pagando quase o mesmo valor do ano passado”, avalia.
O gerente de outra rede, Paulo Sanches, afirma que os preços dos ovos variam entre R$ 7,00 (140g) e R$ 31,00 (660g). Se pesquisar, o consumidor pode encontrar ainda ovos de até R$ 1,00 ou embalagens que vendem 100 mini-ovos por R$ 9,90, menos de R$ 0,10 a unidade. Se optar por caixas de bombons, as opções variam de R$ 2,00 a R$ 4,00.