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Beneficência reestrutura PA infantil

Da Redação
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As atividades do Pronto-Atendimento Médico-infantil (Pami) do Hospital Beneficência Portuguesa foram retomadas nesta semana após um ano e meio suspensas. Formada por dez profissionais, a nova equipe pediátrica do Pami espera realizar cerca de 30 atendimentos diários, média de mil atendimentos por ano, a crianças de até 14 anos.

Desativado em meados de 2003, o Pami reabre com o diferencial de oferecer uma ala separada do pronto-atendimento adulto. “Antes as crianças ficavam perto dos adultos e ficavam impressionadas (com o que viam)”, explica o coordenador do Pami, médico Luiz Carlos Domingues.

Com as novas instalações, em ambientes de cores alegres e decorados com motivos infantis, espera-se amenizar a ida da criança ao hospital. “Quisemos fazer algo que trouxesse conforto (para os pacientes), não algo traumatizante. Quisemos trazer o universo infantil para cá”, acrescenta o administrador do hospital, Luiz Carlos da Silva Mendes Junior. Além disso, o atendimento, prestado somente a pacientes particulares ou conveniados a planos de saúde, será oferecido 24 horas por dia.

O fechamento do pronto-atendimento infantil coincidiu com a crise financeira enfrentada pelo hospital, cuja pior fase se deu em 2003. A falta de médicos pediatras para prestar atendimento e a situação financeira delicada do hospital fizeram com que o serviço fosse temporariamente suspenso.

Com o início da nova gestão do hospital, em novembro de 2003, e com a estabilização da saúde financeira, o serviço foi retomado. “Víamos a necessidade de retomar o pronto-atendimento. Sentíamos o interesse da população (pelo Pami), principalmente por causa da localização do hospital”, explica Mendes.

Cuidados

“O hospital estava na UTI. Hoje não está, mas inspira cuidados”, define o administrador da Beneficência Portuguesa. Em 2003, a Sociedade Beneficente Portuguesa assumiu a crise do hospital. Em meio a dívidas com fornecedores e bancos, a capacidade de atendimento foi reduzida de 200 para 80 leitos. A má situação econômica do País na época, que inibiu a procura por serviços médicos particulares, e a inauguração de outro hospital particular da cidade foram fatores que agravaram o estado financeiro da Beneficência.

Diante da situação, um grupo de médicos do hospital propôs um novo modelo de gestão e assumiu a administração do hospital em novembro de 2003. “O hospital continua sendo da Sociedade Beneficente Portuguesa, a estrutura é deles. Somos uma espécie de gerentes e a sociedade é nosso fiscal”, explica Luiz Carlos Mendes. Além dele, mais sete membros, de diferentes setores do hospital, integram o que Mendes chama de “conselho-diretor”.

Para reerguer o hospital, a nova gestão sugeriu um modelo de administração mais empresarial e que se adaptasse à nova realidade econômica do País. “Terceirizamos alguns serviços (como alimentação, limpeza e lavanderia) e adquirimos equipamentos novos. Renegociamos dívidas e hoje nosso passivo é administrável”, afirma Mendes.

Atualmente, o hospital continua trabalhando com estrutura para atender 80 leitos - hoje, com 90% de ocupação -, além dos 3 mil atendimentos mensais no pronto-atendimento adulto. Em situação mais cômoda do que em 2003, o administrador afirma que o hospital tem condições de voltar a lotar os 200 leitos disponíveis e espera recuperar a saúde do hospital. “Espero que tenha alta em breve, nos próximos dois anos”, diz Mendes.

História

A Sociedade Beneficente Portuguesa foi fundada por um grupo de portugueses e descendentes em uma pequena casa na rua Virgílio Malta, no ano de 1914. Onze anos depois, em 1925, o grupo iniciou a construção do hospital na rua Rio Branco, sendo inaugurado em 10 de junho de 1928. O prédio, construído com características da arquitetura lusitana (telhado inclinado, entre outras características), foi tombado em julho do ano passado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac).

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