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O retorno da disciplina filosofia no ensino médio


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O ensino de filosofia no ensino médio coloca-se como uma necessidade para a formação dos jovens na atual realidade brasileira. Porém, tal necessidade suscita questões de cunho didático-pedagógico.

Como “ensinar filosofia” no atual contexto sócio-econômico que não privilegia o senso crítico, o aprofundamento de conhecimentos, ou seja, da não-discussão “radical” que a própria filosofia propicia?

Ao lecionar tal Disciplina, é preciso motivar os alunos para que se interessem pela mesma, pois para muitos essas discussões são meras especulações, “não havendo nada de real”, pois não “oferece respostas concretas para a existência humana”.

Parto do princípio que a primeira coisa que o professor de filosofia deve apresentar para poder lecionar tal disciplina é possuir autoridade sobre o que fala, ou seja, de que domine o conteúdo que será exposto. As discussões que a filosofia propõe nada mais são do que discutir realmente o que a vida é, o que o homem é, de como se conhece as coisas, de como emitimos juízos sobre a realidade que nos cerca, o que é a morte, etc. Todos esses questionamentos estão presentes em nossas vidas, querendo ou não participar ativamente destas noções ou fatos. E, sobretudo, penso que discutir todos esses fatos é acima de tudo se “humanizar”, aliás, coisa tão fora de moda nos dias atuais, pois só temos tempo para “trabalhar para comer!”.

Em segundo lugar, há a necessidade no ensino de filosofia no 2º grau, de se estabelecer um Plano de Ensino que privilegie discussões sobre temas que possuam relação com a vida dos estudantes. Não se trata aqui de como colocar a filosofia como subsidiária do senso-comum, relegando-a a um papel secundário, mas utilizar uma metodologia, onde através da discussão do cotidiano recorramos aos filósofos, observando o que os mesmos contribuem com estas discussões.

Para tanto, podemos trabalhar com temas como “família, escola, saúde, meio ambiente, justiça, fé, ciência, preconceito, cidadania, tecnologia, futuro, civismo, sociedade, política, democracia, mercado de trabalho”, etc.

Além disso, desenvolver atividades práticas, propiciando que os alunos possam expressar os seus pontos de vista, que também estejam abertos a novas visões de mundo, através de seus colegas e conhecendo como a sociedade acolhe seus pontos de vista e também os critica. Neste sentido, é muito interessante que os mesmos conheçam instituições sociais, como prefeituras, câmaras municipais, mistérios públicos, entidades de classes etc.

Os alunos já possuem uma certa bagagem de vida e é necessário então realizar uma leitura mais aprimorada do contexto. Para tanto, deve ser estabelecida uma análise de conjuntura mais aprofundada, de reconhecer os fatos, os atores sociais, as relações de poder, as questões ideológicas.

Neste sentido, é possível, respeitando-se as características e peculiaridades dos alunos, abordar de maneira mais aprofundada questões sobre ética, teoria do conhecimento, referenciais políticos etc.

Portanto, é plenamente possível “filosofar” no contexto educacional, pois a própria expressão “filosofar” é procurar discutir as coisas em sua essência, como diria Heidegger, no texto “Qu’est-ce que la philosophie”, ... a palavra filosofia fala agora através do grego. A palavra grega é, enquanto palavra grega, um caminho”, o que para muitos seria um novo caminho, uma nova e real possibilidade. (O autor, Antonio Carlos J.Z. de Arruda, lecionou na Rede Oficial de Ensino do Estado de São Paulo durante os anos de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001 e, atualmente, é professor de filosofia na Faculdade Marechal Rondon - S. Manuel - SP e doutorando na UNESP - Bauru, no Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência)

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