A visita de três pesquisadores norte-americanos à Universidade de São Paulo (USP) câmpus de Bauru nesta semana marca uma nova fase da parceria entre a instituição e a Universidade da Flórida, cujo convênio de cooperação em pesquisas com pacientes fissurados já completa uma década. A partir deste mês, pesquisadores do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP, o Centrinho, e do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru iniciarão o “Flórida 2”.
Trata-se de um novo projeto que vai pesquisar aspectos do crescimento da face e dos arcos dentários, além da fala de pacientes de 6 a 12 anos, que pertencem à amostragem do “Projeto Flórida” trabalho original, iniciado há dez anos e que está em fase conclusiva, compara técnicas cirúrgicas e evolução da reabilitação da fala em crianças com fissura labiopalatal por um período de até seis anos após a cirurgia primária de palato, céu da boca. A informação é da assessoria de imprensa do hospital.
Nesta nova fase participam profissionais das áreas de fonoaudiologia, ortodontia e serviço social. “Agora que já tivemos oportunidade de avaliar o desenvolvimento da fala do paciente em relação às técnicas cirúrgicas utilizadas e à idade, queremos estudar qual a técnica que menos interferiu no crescimento facial e também na fala desses mesmos pacientes em até dez anos após a cirurgia”, explica a fonoaudióloga Maria Inês Pegoraro-Krook, diretora do convênio com a Universidade da Flórida e pesquisadora do Centrinho.
Com investimento de US$ 2,5 milhões, a pesquisa tem aprovação do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, que também financia o trabalho. A exemplo do “Projeto Flórida” - que deve apresentar resultados definitivos sobre as técnicas cirúrgicas em junho deste ano - o “Flórida 2” (estudo do crescimento da face) reúne amostra significativa - cerca de 500 pacientes de todo o Brasil - e deve ter grande relevância para a comunidade científica internacional. O prazo previsto para o desenvolvimento da pesquisa é de cinco anos.
“Durante todos esses anos, o intercâmbio entre nossa equipe e a equipe da Flórida foi constante”, conta Maria Inês, que está confiante na continuidade do estudo. “Além disso, semanalmente, enviamos relatórios para a Universidade da Flórida para que eles possam acompanhar o desenvolvimento do projeto, já que os pacientes são atendidos aqui, em Bauru”, completa.
Semestralmente, estatísticos e demais integrantes da equipe da Flórida visitam o Centrinho para fazer auditoria nos dados e prontuários dos pacientes cadastrados no projeto. Assim, é possível elaborar um relatório completo a cada seis meses para entregar ao Instituto Nacional de Saúde dos EUA, que possui um rigoroso comitê de avaliação para certificar se as pesquisas são desenvolvidas de acordo com os protocolos definidos na apresentação do projeto.
Evolução
A psicóloga norte-americana Ann Geers, da Universidade do Texas, especializada em terapias com deficientes auditivos, abriu ontem de manhã os eventos integrados com pesquisadores nacionais e internacionais em comemoração aos 15 anos do Centro de Pesquisas Audiológicas (CPA) do Centrinho. Ela equipara o Brasil aos Estados Unidos em implantes cocleares, o ouvido biônico.
“O Brasil não está em atraso quando fazemos a comparação com a nossa realidade de implantes nos Estados Unidos porque as próteses importadas são praticamente as mesmas e os profissionais daqui estão igualmente qualificados para trabalhar com elas”, disse.