Política

Estela articula candidatura federal

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro, tem boas chances de disputar a Câmara dos Deputados nas eleições do ano que vem. É que o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, deputado federal licenciado, não deverá se candidatar à reeleição no ano que vem para se dedicar integralmente à coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ausência de Dirceu no cenário da disputa à Câmara dos Deputados abre espaço para Estela viabilizar seu nome como candidata na região de Bauru. Ela não confirma a especulação, mas também não desmente. Na pauta do encontro da petista com o ministro, hoje, consta a discussão de assuntos relacionados a Bauru. A dirigente nega que o assunto eleição faça parte da conversa que terá com Dirceu.

Segundo especulações de bastidores, o próprio presidente Lula teria pedido ao ministro-chefe da Casa Civil que sacrificasse sua candidatura à reeleição para se dedicar à coordenação de sua campanha no ano que vem. Dirceu já teria garantido a Lula que não disputará as eleições.

De certa forma, o quadro antecipa no PT de Bauru as discussões sobre as eleições de 2006. Além de Estela, há um leque de pré-candidatos virtuais para 2006, que já articulam seus nomes para a disputa da Assembléia e da Câmara dos Deputados.

Dentre os que já são conhecidos pode-se citar Renato Purini (PMDB), Rodrigo Agostinho (PMDB), Antonio Carlos Barbosa (PHS), Carlos Braga (PP), Caio Coube (PSDB), Carlos Roberto Pittoli (PSB) e Luiz Carlos Valle (sem partido). O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) vai disputar a eleição, mas ainda não decidiu se tentará mais um mandato na Assembléia ou buscará vaga na Câmara Federal.

Além dos nomes já citados, alguns partidos prometem lançar candidaturas, embora ainda não tenham quadros definidos. É o caso do PTB, PFL, PPS, PDT e PV. As legendas de menor expressão, a exemplo da eleição passada, também devem contribuir no aumento do leques de candidaturas.

Na eleição de 2002, os partidos organizados em Bauru lançaram dez candidatos à Câmara Federal e oito à Assembléia. Elegeu-se apenas um: Pedro Tobias. Na época, a cidade registrava 207 mil eleitores, o suficiente para eleger pelo menos dois deputados federais e outros dois estaduais.

Além dos dez candidatos à Câmara dos Deputados lançados na cidade, outros 202 obtiveram votos no município. Na disputa à Assembléia, Bauru concorreu com oito candidatos, mas o eleitorado também registrou votos a outros 222 pára-quedistas.

Risco

Se não houver um acordo que possa costurar entre os partidos o lançamento de um número menor de candidaturas, evitando a pulverização dos votos, Bauru corre o risco novamente de ficar sem representantes em Brasília.

A cientista política Maria Teresa Kerbauy acha difícil a viabilização de um acordo entre os partidos, no sentido de aglutinar as forças políticas, resultando no lançamento de um quadro de candidaturas mais enxuto. “Há interesses conflitantes entre os vários partidos”, analisa.

Já o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), José Clemente Rezende, vereador do PDT licenciado, acredita que a sociedade precisa se organizar antes das eleições para poder exigir dos partidos e de seus dirigentes o bom senso, ou seja, um quadro de candidaturas enxuto.

“É preciso reunir as lideranças políticas da cidade junto com os segmentos organizados para se discutir essa proposta. Bauru não pode mais ficar sem representantes em Brasília, afinal, a cidade conta com 220 mil eleitores”.

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