O preço do combustível subiu, o bolso apertou e os hábitos dos motoristas mudaram. Em alguns postos da cidade, metade dos clientes reduziram o valor do abastecimento.
"Essa situação se agrava principalmente no começo do ano", explica Luiz Claudio Oliveira, gerente de um estabelecimento do setor, localizado no Centro da cidade.
De acordo com ele, nesse período, os clientes costumam fazer mais economia, pois as condições financeiras ficam complicadas. "Depois de pagar impostos, gastar com as contas do ano passado, muita gente não tem dinheiro para colocar combustível."
Quem enchia o tanque, passa a colocar apenas R$ 50,00, R$ 60,00. Quem colocava essa quantia, reduz para R$ 10,00 ou R$ 20,00. As diferenças de comportamento podem ser observadas conforme a região da cidade onde está localizado o posto.
Em locais nobres, como na avenida Getúlio Vargas, a redução acontece em pequena escala. "Eu trabalhava em um posto da zona sul e a porcentagem dos que cortam os gastos com a gasolina é menor", frisa Oliveira.
O gerente de dois postos instalados nessa região de Bauru, Yzer Montebugnoli, atesta essa informação. Ele conta que apenas 10% dos clientes diminuíram a quantidade de combustível no início deste ano. "O pessoal que passa por aqui é de uma classe mais abastada financeiramente. A maioria ainda é adepta do tanque cheio", relata.
Do outro lado da cidade, no Jardim Mendonça, a queda do poder de compra fica mais evidente. O gerente de um estabelecimento situado nesse bairro, Marcos Amilton Ramos, destaca que os motoristas reduziram bem os litros de gasolina no início deste ano. "A gente nota isso principalmente pela entrada de muita moeda no posto", salienta.
Para ele, muitas pessoas juntam os trocados para manter o automóvel rodando. "Já teve gente que pediu para colocar R$ 1,00 de gasolina no carro. Dá menos de meio litro."
Em outro posto, também localizado em um bairro mais afastado da região central (Jardim Terra Branca), a nota de R$ 10,00 foi mais recebida no início deste ano. "A gente até brincava, dizendo que parecia que os clientes haviam combinado: a maioria chegava aqui e pedia para colocar R$ 10,00", conta a proprietária do estabelecimento, Valdete Aparecida Antonio Robin.
Segundo ela, grande parte dos clientes optaram por diminuir o abastecimento do veículo, visando driblar a crise financeira.
A bancária aposentada Maria Aparecida da Silva é uma delas. Até dois anos atrás, ela chegava no posto e não pensava duas vezes. Já pedia para encher o tanque. Hoje a situação é bem outra. “Costumo colocar R$ 20,00 por semana”, afirma.
Segundo ela, não dá mais para ficar despreocupada com relação ao consumo de combustível. “Atualmente, eu calculo o tanto que vou gastar por semana e abasteço.”
Ela diz que é preciso andar sempre com uma reserva na carteira para casos de emergência. “Temos de ter dinheiro para as necessidades médicas e de alimentação. Com o carro, gastamos o quanto podemos.”
Ela conta que nunca havia andado com o ponteiro na reserva. Mas, de uns tempos para cá, isso virou algo normal. “O jeito é economizar o máximo possível.”
Cheque pré
Outra alternativa dos motoristas foi apelar para o cheque pré-datado. O representante autônomo Afonso Carvalho, por exemplo, precisa rodar com o carro o dia todo. "É o meu ganha-pão", salienta.
Como não gosta de andar com o tanque com menos de um quarto de combustível, ele apela para o cheque pré. "Eu sempre peço para completar o tanque, mas isso acontece por necessidade, pois ando muito com o veículo", ressalta.
Ele prefere não deixar baixar o nível de gasolina, pois já teve prejuízos muito maiores por causa disso. "Eu perdi a bomba de combustível do carro por causa de sujeira na gasolina", diz.
No caso dele, que não tem como economizar nos gastos, colocar gasolina aos poucos no carro não é vantagem. "Vou ter que voltar mais vezes ao posto, porque o combustível vai acabar."
Combustível na reserva pode queimar a bomba
Deixar o combustível chegar na reserva pode trazer alguns prejuízos futuros. De acordo com o mecânico Willian Yassou Caretta, andar com o ponteiro no vermelho pode queimar a bomba de combustível. “O combustível resfria a bomba e a mantém lubrificada. Quando ele fica escasso, a tendência é haver um aquecimento da bomba e uma possível avaria”, salienta.
Para os carros com carburador, o problema é ainda pior. Isso porque, se a gasolina ou o álcool apresentar resíduos, a sujeira que fica no fundo do tanque se mistura ao combustível e pode entupir o carburador.
Caretta salienta que o ideal é não deixar o nível de combustível abaixar tanto. “O melhor é andar sempre com um quarto ou mais”, explica.