Palco de seis mortes violentas em 2004, o Ferradura Mirim, registrou, anteontem à noite, o primeiro crime contra a vida deste ano. O desempregado Marcelo Aparecido Braz Barbosa, 28 anos, foi achado morto na rua, com um ferimento na cabeça com indícios de ter sido causado por tiro. Ele é a décima pessoa morta em situação violenta neste ano em Bauru.
De acordo com o registrado em Boletim de Ocorrrência, uma pessoa que pediu para não ser identificada localizou o corpo e ligou para o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). Por volta das 20h30, policiais da Base Sudeste foram até a quadra 4 da rua Três e encontraram Marcelo caído no meio da via.
Os policiais não observaram nenhum vestígio de luta ou reação por parte da vítima no local onde o corpo foi localizado. A Polícia Técnica fez perícia no local em que Barbosa foi achado morto e o Instituto Médico legal (IML) iria fazer a necrópsia do corpo.
A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra) está investigando o caso. Segundo o delegado titular J.J. Cardia, investigadores esteviram no bairro durante o dia de ontem, mas até o fechamento desta edição o autor ou atores do homicídio não haviam sido localizados.
‘Lei do silêncio’
Natural de São Paulo, Marcelo morava em uma casa localizada na quadra 4 da rua Treze, próximo ao local do homicídio, segundo o registrado em boletim de ocorrência. O endereço, porém, não foi confirmado pelos moradores do bairro. “Ele não mora nesse local e eu não sei onde ele mora”, diz uma dona de casa que não quis se identificar.
Segundo outra moradora do bairro que também não se identificou, Marcelo havia acabado de sair da prisão e não conhecia muitas pessoas no bairro. De acordo com o major Pedro Batista Lamoso, comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), a vítima tinha passagens pela polícia por assalto e já havia cumprido pena no sistema penitenciário.
No velório haviam cerca de cinco amigos da vítima, mas nenhum deles soube dar detalhes sobre a vida de Marcelo. “Fiz amizade com ele, mas não sei o que ele fazia, não”, disse um amigo, que preferiu não se identificar.
A “lei do silêncio”, comprovada pela polícia e pela reportagem do JC, impera no Ferradura Mirim. “O bairro tem cerca de 4 mil pessoas vivendo em situação miserável. A marginalidade acaba se escondendo em acaba se escondendo em favelas, onde a polícia tem dificuldade para identificá-los. A população do bem tem medo e não denuncia à polícia”, diz Lamoso.
O major suspeita de que o crime seja motivado por brigas ou “cobrança de dívidas”. “Temos algumas informações de que a pessoa ou pessoas que mataram sejam conhecidas da vítima. A princípio pode ter ocorrido uma briga entre grupos rivais, por tráfico ou dívidas”, diz.
Contra a violência
O Ferradura Mirim foi palco de seis mortes violentas em 2004, conforme estatística do JC. Este é o primeiro homicídio do ano no bairro. Para tentar evitar crimes no bairro, a Polícia Militar, em parceria com entidades civis, realiza projetos sócio-educativos no bairro.
“Além do policiamento feito com apoio da cavalaria e do canil, é feito um trabalho de alfabetização de adultos”, diz o major Pedro Batista Lamoso, comandante interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar. “Aos sábados, os policiais junto com a comunidade servimos 300 refeições para crianças e mulheres do bairro”, completa.