Bauru, mais precisamente a avenida Nações Unidas, deve ganhar, na data do aniversário da cidade neste ano, mais um hotel. O investimento é de uma rede internacional, a Best Western, que tem mais de 4.100 hotéis em cerca de 80 países. O empreendimento confirma a prosperidade de um dos principais corredores comerciais da cidade e cuja valorização imobiliária é crescente. Além dessa obra, existem outros cinco grandes hotéis na avenida.
Ricardo Moscal Fiorotto, diretor operacional da Arco Hotel - empresa associada ao grupo Best Western no Brasil -, diz que a decisão pelo investimento na cidade faz parte do plano de expansão da empresa, de abrir 30 hotéis no Estado de São Paulo até 2007. Bauru foi considerada fundamental no projeto de ampliação da rede, segundo Fiorotto, que não revela o valor investido na obra.
O último levantamento sobre a estrutura hoteleira da cidade, feito pelo Conselho Municipal de Turismo (Comtur), mostra que Bauru tem 28 hotéis urbanos, com 1.337 unidades habitacionais disponíveis. Com a inauguração do empreendimento da Arco em agosto, esse complexo ganhará mais 132 apartamentos, num prédio de oito andares.
“O hotel é de nível internacional. Além dos apartamentos, o projeto também contempla oito salas para eventos e convenções. A construção do prédio está envolvendo várias empresas da cidade, inclusive a construtora, e gerando empregos”, destaca o diretor operacional, que não soube dizer quantas pessoas estão trabalhando na obra.
A avenida Nações Unidas foi o local escolhido para construir o hotel porque os investidores decidiram “ser a região mais adequada para atender as necessidades do empreendimento”.
Valorização
Sem citar valores, a corretora de imóveis Wânia Pôrto diz que o metro quadrado e os imóveis localizados na avenida Nações Unidas tiveram uma “enorme valorização” nos últimos cinco anos. “A Nações é um pólo comercial fantástico. Tudo que se abre lá, dá certo”, observa.
Na opinião dela, esse sucesso se deve a vários fatores, como o movimento intenso na avenida. “É um local bonito, de paquera, de grandes empresas. Quando o novo aeroporto for inaugurado, a prosperidade daquela região será maior ainda. Assim como essa rede que está construindo um hotel no local, outras empresas que ainda virão para a cidade vão querer seu espaço lá.”
A Nações Unidas está, segundo Wânia, entre as áreas mais valorizadas da cidade, assim como a Getúlio Vargas. O fato de ser uma via de acesso fácil às mais diversas regiões da cidade, inclusive ao Centro, também é fundamental para a atração de investimentos.
Desenvolvimento
A empresária e presidente do Bauru Convention Bureau, Michele Obeid, do Obeid Plaza Hotel, lembra que durante muitos anos a rede hoteleira ficou concentrada no Centro de Bauru. Depois, com a saturação daquela região, a avenida Nações Unidas passou a ser o alvo de muitos investidores.
“A idéia de construir o hotel (Obeid) surgiu na década de 80. A Nações acabou sendo escolhida porque o local era muito interessante. É um corredor comercial importantíssimo e com acesso facilitado a todas as regiões da cidade. É o tipo de área que propicia o desenvolvimento”, analisa Michele.
A prosperidade do local se espalha também pelo fato da avenida proporcionar acesso fácil a diversas instituições de ensino superior da cidade, o que resulta na atração de vários edifícios residenciais ocupados por estudantes universitários além de estabelecimentos comerciais.
Segundo Maria Helena Rigitano, coordenadora do Plano Diretor de Bauru, a definição de corredor comercial da avenida Nações Unidas vem da Lei de Zoneamento do município, que permite a expansão organizada daquela área.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Garroux Sampaio, acrescenta que a Lei de Zoneamento é fundamental para o desenvolvimento organizado que a avenida Nações Unidas vem registrando.
“A lei define o tipo de estabelecimento que pode ser instalado lá, justamente para não descaracterizar a região. Por essas e várias outras características, é natural que aquela região atraia cada vez mais investimentos e empreendimentos de grande porte”, observa.
Crescimento organizado
O arquiteto Jurandyr Bueno Filho, que participou do projeto da avenida Nações Unidas, observa que a definição de corredor comercial dada à via pela Lei de Zoneamento foi fundamental para o seu crescimento organizado.
“Note que na avenida quase não há botecos, porque a lei não permite. E quando a lei é bem feita, é respeitada. Essa disciplina já não ocorre, por exemplo, na avenida Getúlio Vargas, que está crescendo a esmo e vai acabar virando outra Duque de Caxias. Lá, não há espaço para estacionamento nem mesmo nos restaurantes”, sublinha o arquiteto.
Ele observa que a Nações Unidas foi projetada para ser uma via de escoamento da cidade, tanto que não ocorrem congestionamentos.
“Contudo, as sucessivas administrações municipais não obedeceram nosso projeto inicial, que previa um viaduto no cruzamento da avenida com a rua Albino Tâmbara. Também previa um viaduto de retorno na altura do acesso ao Bauru Shopping”, aponta.
Um marco histórico da avenida Nações Unidas foi a explosão ocorrida no dia 13 de agosto de 1976, causada por um acidente com um caminhão de combustível. O produto vazou até a tubulação de esgoto da via e, em contato com o ar, causou o acidente.