Cultura

'Sergio 80'

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

“É verdade que você brigou com Nelson Rodrigues?”, “Como foi o dia em que você dormiu em cena?” ou ainda “Como você fez Irene Ravache vomitar em cena?” são algumas das possíveis perguntas que poderão ser feitas pessoalmente ao ator Sergio Britto, hoje e amanhã, durante o espetáculo “Sergio 80”, que será apresentado no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves.

Escrita especialmente por Domingos Oliveira para comemorar os 80 anos de vida do ator, diretor e produtor (comemorados no dia 29 de junho de 2003), a peça mostra passagens da vida e da carreira dele, desde sua infância, seus estudos de medicina, o início da carreira teatral, o apogeu, os importantes espetáculos que produziu e estrelou, os atores e diretores com quem trabalhou, até sua relação com o amadurecimento e a velhice. Entre seus assuntos prediletos, estão sexo, teatro e viagens - “necessariamente nessa ordem”, de acordo com Oliveira.

“Eu tenho coragem de contar coisas inesperadas. E aconselho o público a chegar na hora para não perder a primeira cena, que é básica para compreender tudo aquilo que eu sou como gente”, sugere Britto, em entrevista concedida ao JC Cultura por telefone.

No meio do espetáculo, há o ineditismo de 20 minutos em que Britto coloca-se à disposição do público para responder perguntas sobre sua vida e carreira - tarefa que desempenha com muito prazer. “Eu posso falar mais das pessoas que estiveram perto de mim, como o Fernando Torres, a Fernanda (Montenegro), etc. Enfim, é um espetáculo interativo em que eu dou margem de 20 minutos para elas perguntarem”, diz.

“O espetáculo é uma tentativa de raciocinar sobre esse fato de fazer teatro e ser ator. Quando eu fiz 80 anos, eu senti a necessidade de fazer um balanço da minha vida. Eu tenho muita coisa para contar. Eu estou fazendo um raciocínio sobre a minha profissão e sobre a profissão (de ator) em geral”, acrescenta Britto, que amanhã ministra uma oficina para atores no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva.

No final de 2004, a Fundação Nacional da Arte (Funarte), órgão oficial do Ministério da Cultura, selecionou “Sergio 80” para a Caravana de Circulação Regional Sul/Sudeste. Portanto, a peça, apresentada inicialmente no Rio de Janeiro, já passou por Niterói, Brasília, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo, cidades do interior de Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Esta semana, esteve também em Botucatu (SP).

O ator se mostra otimista em relação ao Interior de São Paulo, que começa a percorrer. “Quando morei em São Paulo, eu vinha sempre ao Interior e sempre tinha muito público. Era obrigatório ir ao Interior. As cidades progrediram e agora eu quero saber se o público se manteve”, expõe Britto.

Planos é o que não faltam para ele. “Eu quero fazer um espetáculo muito pretensioso sobre Yung, chamado ‘Yung e Eu’. É sobre um ator de 82 anos que descobre que não sabe bem sobre Yung e trata de estudar. O Domingos de Oliveira está começando a escrever”, adianta.

Serviço

O espetáculo “Sergio 80” será apresentado hoje, às 21h, e amanhã, às 20h, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves. Os ingressos custam R$ 15,00 e R$ 7,50 (estudantes). Amanhã, o ator Sergio Britto ministra uma oficina para atores, às 14h30, no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva. O endereço é avenida Nações Unidas, 8-9. Outras informações podem ser obtidas através do telefone (14) 3235-1072.

Comentários

Comentários