Ação restrita
A aposta de governança do prefeito de Bauru, Tuga Angerami (PDT), detectada pela coluna logo no segundo mês de seu governo, de restringir ao máximo as ações político-partidárias tanto em seu Gabinete quanto na Câmara Municipal, continua em aberto e em pleno curso.
Para entender
Por sua característica quase que apartidária dos últimos anos, quando mudou algumas vezes de legenda e não se firmou em nenhuma, e por ter sido eleito em um partido montado praticamente para eventos eleitorais (PDT), Tuga partiu para uma linha de atrair a Câmara para discutir as maiores ações da administração, evitando o embate e compartilhando os efeitos. Assim, calcula, não deixará seu governo patinar por falta de apoio político no Legislativo.
Grupo técnico
Some-se a isso o fato de o prefeito não ter um grupo mais politizado a seu lado, no centro de comando do governo, onde estão pessoas de perfil técnico, como Paulo Canalli, Tânia Guerra e alguns outros. Ou seja, um Gabinete sem políticos partidários, como há muito não se via.
Com o tucanato
Até agora, Tuga tem colhido um relacionamento sem turbulências com a Câmara. Atraiu (ou foi atraído?) o vereador João Parreira (PSDB), que tem força nas grandes decisões do Legislativo e é parte de uma bancada tucana que, teoricamente, lhe seria hostil. De quebra, conta com a sorte de ter outro tucano ácido (Toninho Garmes) na presidência da Casa, mais como juiz do que como protagonista.
Borges e Benê
Quanto aos outros dois parlamentares do PSDB, Marcelo Borges e Benê da Silva, o primeiro tem sido o mais crítico, mas toma cuidados para não cair na vala comum da oposição sistemática. O segundo, por ser estreante, é cauteloso com seus posicionamentos, mais ouve do que fala, não se lançou às críticas e dá votos lá e cá.
Hoje, equilíbrio
Assim, as relações entre Executivo e Legislativo se mantêm equilibradas e, como dissemos domingo passado, a Câmara tem respondido com uma tática de ser dura na queda quando surge uma dúvida, mas maleável quanto recebe explicações, como ocorreu na quarta-feira, ocasião em que o DAE e os Correios explicaram sua parceria.
Grande incógnita
Hoje, não é possível saber se a estratégia tuguista dará certo. Além de muito cedo e de ser o primeiro ano de governo, não é um período eleitoral, quando, invariavelmente, todas as lógicas se subvertem. Se os não-governistas da Câmara e o prefeito mantiverem-se distantes do embate eleitoral de 2006, o “pacto branco” pode ter chances. Uma aposta que se aparenta arriscada, mas parece não haver outras opções ao Tuga “apartidário” que, por sinal, não costuma transigir quando se fala em trocar cargos por apoio político.
Responsabilidade
É o quadro que se apresenta em meio a um período delicado da história política local, que há muitos anos não responde aos anseios de melhorias nos serviços públicos e no direcionamento da cidade para o progresso. A grande pergunta que fica é: Prefeitura e Câmara terão maturidade suficiente para fazer Bauru avançar? Eis uma enorme responsabilidade.