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Padres divergem sobre autenticidade

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O lençol de linho abrigado na Catedral de Turim, Itália, é o mesmo que envolveu o corpo de Jesus Cristo logo após sua morte na cruz? A dúvida também encontra respaldo no meio religioso. Há padres que são céticos em relação à veracidade do manto e há outros que acreditam na sua autenticidade.

Para padre Beto, da Paróquia Universitária, a polêmica em nada altera sua fé em Cristo. “Esse não é um aspecto vital na minha fé. Por quê? Porque Jesus Cristo é uma lacuna para nós. Historicamente e arqueologicamente, sabemos muito pouco sobre ele. Cristo é uma verdade de fé. Não posso provar para ninguém que Jesus foi filho de Deus”, explica.

Mas padre Beto avalia que as pesquisas que tentam revelar os mistérios sobre o Manto de Turim são válidas. “Toda busca de conhecimento sempre é bem-vinda, mesmo que seja sobre um tema como esse. Com isso, há novas descobertas tecnológicas e científicas”, opina.

Sobre as afirmações de que o Santo Sudário poderá se transformar no instrumento de conversão dos homens incrédulos e no quinto Evangelho deste terceiro milênio, o religioso faz ponderações.

“Não concordo nem discordo. Ainda é cedo para se fazer uma afirmação dessa. Desde que sou criança se discute essa questão do Santo Sudário. Pode ser uma discussão que não leve a nada. Há a teoria de que o manto foi uma criação medieval. Mas pode ser também que encontremos uma porta para essa lacuna história que é essa figura chamada Jesus”, comenta.

Presença de Deus

Há muitas evidências de que o Manto de Turim tenha sido mesmo utilizado para envolver o corpo de Jesus. Monsenhor Almir Cogiola, pároco da Igreja Santa Rita, acredita que o lençol apresenta claros sinais do sofrimento de Cristo na cruz.

“Acredito que o Santo Sudário envolveu Jesus e trouxe para a Igreja de Deus aquelas impressões que, na verdade, já duram séculos. O manto é uma presença demonstrativa de que de fato Cristo fora sepultado e envolto no pano”, opina.

Cogiola também cerra fileira na corrente defensora de que, com a ajuda da Ciência, o Sudário será o instrumento de conversão para o homem incrédulo do terceiro milênio. “A cada ano que se passa, mais descobertas serão feitas e menos contestações vão ocorrer”, acredita.

Não tão convicto como monselhor Almir Cogiola, o padre Luís Antonio Carqueijo, pároco da Catedral do Divino Espírito Santo, diz que ainda não há uma prova definitiva de que o Manto de Turim envolveu mesmo o corpo de Cristo.

“Há sinais estampados no Sudário que demonstram fortes indicações do envolvimento do corpo de Jesus. As manchas de sangue da coroa de espinhos e o sinal do coração estão explícitos. Sabemos que essa prática era comum nos crucificados, mas, em particular com Jesus, esses sinais eram únicos”, observa.

Para o pároco, há grandes chances de que o Sudário possa dar um “sinal definitivo” de que realmente foi o lençol que envolveu o corpo de Cristo. “Tudo é uma questão de fé. A prova material ajuda, mas tudo no campo da fé é uma experiência de Deus”.

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