Politicando

Coelhinho da Páscoa


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Esta é outra que li no Sebastião Nery e resolvi compartilhar.

Nos primeiros dias de abril de 1964, o Comando Revolucionário mandou a São Paulo os coronéis Martinelli e Igrejas, líderes da chamada “linha dura”, para exigirem do governador Ademar de Barros a reforma total do secretariado. Ademar, ainda mais matreiro do que gordo, imaginou sair de banda:

- Quer dizer que é para trocar alguns auxiliares, não, coronéis?

- Alguns, não, governador, todos.

- Mas todos, como? Eles são revolucionários de primeira hora. De quem é mesmo a recomendação?

- É do alto comando, governador. E não é recomendação, é ordem.

Ademar mudou de tom: - Quanto os senhores ganham, coronéis? A vida está cara, muito difícil, o Jango inflacionou tudo, os militares estão sacrificados, não é?

- Isto é problema nosso, governador. O assunto é outro.

Ademar puxou uma gaveta, tirou dois envelopes cheinhos de notas de mil cruzeiros e sorriu:

- Posso dar-lhes um presente, coronéis?

Martinelli, vermelho, apoplético, levantou-se aos gritos, indignado, querendo dar um murro no governador. Igrejas segurou-o e caiu numa gargalhada nervosa. Ademar passou a mão na barriga: - Perdão, senhores, há um equívoco. Não estou querendo comprar ninguém. Será que a gente não pode mais nem dar um coelhinho de Páscoa.

Era domingo de Páscoa... (contada por Antonio Pedroso Jr.)

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