Infra-estrutura adequada, documentação correta e a definição da vocação econômica da cidade são alguns dos fatores que, na opinião do professor universitário e consultor Carlos Sette, contribuem para o sucesso de um distrito industrial. Na região de Bauru há municípios que conseguiram alavancar seus distritos, enquanto outros patinam nos obstáculos.
Para Sette, a infra-estrutura deve ser prioridade um. “O empresário não vai querer instalar sua indústria num local que não tenha água encanada, energia elétrica, ruas definidas e asfaltada. Especialmente se ele usa água e energia no seu processo de produção.”
A documentação correta do distrito é outro item que não deve faltar, porque sem a escritura definitiva o empresário pode ter dificuldades para conseguir um financiamento. “Para os financiamentos no BNDS, por exemplo, há exigência da escritura. Sem a documentação correta, eles não liberam financiamentos. A lógica é seguinte: estou dando dinheiro para essa fábrica que está instalada num terreno que não se sabe quem é o dono.”
O consultor de empresas acredita que a instalação de um distrito industrial no município é importante. “Por duas razões: em primeiro lugar, pelo planejamento da própria cidade. Naquele local ficam instaladas as indústrias que não se misturam com as residências.”
As casas dos operários, na opinião dele, podem ser construídas ao redor. “Em segundo lugar, eu penso que tendo um distrito poderão ser criado os núcleos habitacionais ao seu redor. As vantagens são para ambas as partes, empresários e trabalhadores.”
Ele acha que se para a empresa a vantagem vem na forma financeira, pois não tem que pagar dois ou mais vales-transporte por dia. Para o trabalhador, elas chegam com a qualidade de vida. “Os operários não precisam acordar tão cedo para chegar ao trabalho e o retorno para casa é mais rápido. É qualidade de vida além de melhorar o relacionamento Capital e Trabalho.”
Na visão do consultor, para o sucesso do distrito industrial, o município precisa ter um bom contato além de criar atrativos para as empresas. “A cidade tem que ter atrativos para a empresa se instalar ali. Tem que levantar, identificar e divulgar seus pontos estratégicos fortes.”
Como exemplo ele cita a cidade de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru), que focou na indústria de calçados femininos. “Eles definiram uma espécie de vocação do município e atraiu toda uma cadeia de fornecedores e prestadores de serviços.”
Saber escolher o secretário do desenvolvimento para fazer os contatos com as empresas pode ser determinante. “Ele é o cartão de visitas. As prefeituras têm que fazer a tarefa de casa. Eu acredito que a melhor maneira de escolher essa pessoa é consultando as entidades de classes, Fiesp/Ciesp e Associação Comercial e Industrial da cidade.”
A formação em administração de empresa ou em economia, também ajuda. “Para atrair grandes empresas é preciso ter visão de negócios. Eu percebo que muitos secretários fazem isso de forma amadora.”