Tucanópolis está localizado entre 40º L.N. e 170º L.O.. É um país muito diferente do resto do mundo, em saúde, educação, segurança pública. Na educação, por exemplo, mudou a função do professor, não é mais de ensinar, e sim manter o aluno retido em sala de aula. Por sua vez, os alunos descobriram que não é necessário fazer nada, pois o conselho vai lhes promover no final do ano para série seguinte. Nesse país, filho de pobre não tem direito ao conhecimento e sim a diplomas. Aqueles que podem levam seus filhos para escola particulares, onde não se usa a avaliação global.
Você deve estar perguntando: o que é avaliação global? Imagina você que seu filho passou em quatro disciplinas e ficou retido em três. Aqui em Tucanópolis, seu filho é aprovado automaticamente, sabendo ou não. Outro exemplo: seu filho não sabe nada de português, mas é ótimo em inglês. Na avaliação global seu filho está aprovado. Outro exemplo, seu filho não sabe nada de matemática, mas é ótimo em futebol, seu filho foi aprovado com 50% de aproveitamento em educação física. Tucanópolis é diferente daí do Brasil, aqui os professores não recebem bônus e sim uma mesada do governo no começo do ano letivo referente ao número de alunos aprovados no ano anterior.
Se os alunos ficarem retidos em três ou quatro disciplinas por falta de conhecimento, o aluno é orientado a entrar com recurso, que será julgado, não pelo trabalho que o educador fez durante o ano todo, e sim por critérios determinados por interesse político administrativo. Esses alunos serão promovidos através de recurso, e não do saber, ou seja, eles entram na tabela dos 50% da avaliação global.
Aqui nesse país, quanto maiores as aprovações dos alunos, maior a mesada para os professores e para aqueles que não têm contato algum com os alunos. Aqui está se formando uma sociedade de casta, como na Índia. A pressão é tanta para se promover aqueles alunos que não têm condição alguma de ser promovidos, que os representantes do governo passam por situações constrangedoras no seu dia-a-dia.
Os educadores têm a sensação de que suas vidas estão dentro de um vulcão ou de uma panela de pressão. Aqui os educadores são obrigados a trabalhar em salas sujas, com banheiros sujos, com classes superlotadas. Nesse país, os chefes só aparecem no final do ano letivo para pressionar os educadores. Aqui nessa terra tropical abençoada por Deus, os políticos afirmam que a escola é democrática e que todos têm o direito de entrar na primeira série e sair na última. Se o aluno aprendeu ou não, o problema é deles e de suas famílias.
Os políticos ainda não definiram se a escola democrática vai formar cidadãos com conhecimento ou indivíduos diplomados sem cidadania e sem qualificação para o mundo do trabalho. Marcão, da República de Tucanópolis, para Jornal da Cidade, Bauru, Estado de São Paulo, Brasil. (Marcão: Geraldo Marques de Oliveira - RG. 550.227 D.F.)