Tribuna do Leitor

SEVERINO NEGA O FISIOLOGISMO; MAS NÃO PODE NEGAR O CORPORATIVISMO, O PERSONALISMO, O NEPOTISMO


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Afirma o senhor Severino Cavalcanti que não é político fisiológico. De minha parte, até creio que realmente não seja; isto é, fisiológico na verdadeira acepção do termo. Pelo que sei, dizem ser fisiológicos os políticos inconstantes, que vivem mudando de agremiação. Isto nos parece que o senhor Severino não costuma fazer. Contudo, se não é um político fisiológico, também não é um cidadão de elevado civismo; muito menos verdadeiro humanista ou altruísta. Aliás, pela sua atitude, ele poderá enquadrar-se no grupo político dos “nepóticos”, “personalistas” e “corporativistas”.

Esses atributos, entretanto, inibem no político quaisquer outras qualidades de sentido altruístico civilista. Ao advogar interesses pessoais, usando e abusando de nomeações nepóticas; pondo-se como defensor da elevação do valor de verbas e vencimentos a um grupo de parlamentares que há muito vem se banqueteando à custa da miséria de um povo, demonstra que seu ideal de humanismo é falso, não existe.

Como nordestino, ele não ignora a situação de miséria que se abate sobre seu povo. Como parlamentar, tem conhecimento da triste e humilhante situação dos nossos irmãos deserdados da sorte, por este País. Ainda como cidadão que conviveu muitos anos em São Paulo, é testemunha de que aquilo que políticos nordestinos propalaram, dizendo serem os paulistas responsáveis pela miséria do nordeste, não passa de odioso falso, de deslavada mentira.

O senhor Severino, ao se fazer adepto do corporativismo, esqueceu que o Brasil abriga uma leva de miseráveis. Os sem-ocupação, os sem-teto, e os sem-assistência, que, por vezes, morrem ao abandono. Esqueceu também que os cidadãos que trabalham, e o mantêm na posição que ele se acha, cumprem uma jornada de 6 a 8 horas, para, no fim do dia, não conseguirem levar para casa o necessário a fim de acudirem as necessidades de sua família; enquanto os familiares do senhor Severino estão todos amparados através de empregos no setor federal.

Isto vem mostrar que este grupo que hoje domina a política no Brasil não é constituído de políticos na verdadeira acepção da palavra. São cidadãos esvaziados de civismo e de humanismo; que não se vexam ao se colocar como adeptos de um corporativismo concupiscente. A defesa dos interesses sociais é apenas uma cortina de fumaça, para despistar as atividades personalistas, nocivas à sociedade. A verdade que muita gente teme em propagar é que a maioria política não visa o bem-estar do povo, e muito menos o progresso da nação. O ideal é o enriquecimento ilícito, e a defesa dos interesses próprios.

E ainda fazem gozação. Com o nosso dinheiro, circulam frases como estas, destituídas de ideal e de sentido: “Sou brasileiro, não desisto”, “Tudo pelo social”, etc, etc, etc... Nação, civismo, humanismo são coisas de antanho; são balelas. (Áureo Corrêa de Souza - RG 3.538.605)

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