A operação ‘control C/control V’, que permite a cópia de textos da Internet em questão de segundos, virou mania entre os alunos dos ensinos fundamental e médio no cumprimento de tarefas de casa. A prática não é condenada por professores, mas eles defendem que a rede mundial de computadores deve ser usada como parceira e com muito critério nos trabalhos de pesquisa encomendados nas salas de aula.
O professor Gilson Aude, titular da disciplina de geografia no Colégio Guedes de Azevedo, tem a convicção de que a Internet facilitou a vida dos estudantes de um modo geral, embora no Brasil somente 15% da população sejs privilegiada com o acesso à rede mundial de computadores, inaugurada no País em abril de 1995, há dez anos.
“Leciono para alunos da quinta a oitava séries. Eu os incentivo a fazer suas pesquisas em jornais e livros. Também exijo que o trabalho seja manuscrito. Não aceito cópias nem pesquisas digitadas”, explica. Para o docente, tarefas manuscritas permitem ao aluno uma melhor fixação do aprendizado.
“Isso permite que ele raciocine e faça uma conclusão pessoal daquilo que foi pesquisado. Mesmo assim, às vezes, me deparo com cópias integrais de textos chupados da Internet. Não penso duas vezes: é zero”, afirma.
Já o professor Fábio Júnior Evangelista, do setor de apoio do Colégio Fênix, acredita que cabe mesmo ao docente avaliar a capacidade dos alunos no entendimento daquilo que pesquisam na rede mundial de computadores. “É impossível na educação de hoje viver sem Internet. O mundo está dentro de casa”, observa.
Ele ressalta, porém, que os estudantes não devem se restringir somente a esse meio de pesquisa. “É lógico que não se pode privar os livros dos estudos. De fato, o correto é orientar os alunos a dosar o uso Internet. Essa conciliação vira uma parceria saudável”, comenta.
Mas a garotada não perde a esperança nas investidas que buscam ‘passar a perna’ nos professores. “Já tive casos de um único aluno fazer a pesquisa na Internet e depois passar o disquete para outros. Sempre discuto essa questão na sala de aula. E exijo que o trabalho seja manuscrito”, conta a professora Maria Gorete Bernardes da Silva, docente da rede municipal de ensino.
Para ela, nem tudo o que está na rede mundial de computadores é aproveitável. “Cabe ao professor orientar, conversar com seus alunos. Eles têm de entender que a informação precisa ser assimilada”, afirma.
Com um acervo de 34 mil livros, a Biblioteca Municipal de Bauru atende a cerca de 2,5 mil consultas por mês. São estudantes dos ensinos fundamental e médio em busca de livros para pesquisas. Juntos com as estantes, há um convívio pacífico com terminais de computadores que acessam a Internet.
Para a diretora da Divisão de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura, Maria Elizete Barro, a rede mundial de computadores não se constitui em ameaça aos livros. “A facilidade do manuseio e do acesso impedem que o livro seja trocado pela Internet. O que existe, no meu ponto de vista, é uma convivência harmoniosa entre essas duas fontes de pesquisa”, diz.
Ela analisa, no entanto, que é preciso tornar o livro mais popular e barato para que as camadas mais carentes da população possam ter acesso. “O livro no Brasil ainda é muito caro. E as bibliotecas públicas são poucas. Mas as publicações impressas jamais vão ser superadas pela tecnologia”, acredita.
Alunos apontam facilidades
Se depender dos estudantes dos ensinos fundamental e médio, a Internet veio para ficar no que diz respeito ao auxílio de trabalhos escolares. “É o meio mais fácil para se pesquisar. Não saio de casa, posso acessar a hora que quiser e ainda ganho tempo”, comenta Carolina Aude Fantini, 15 anos, aluna do Colégio Seta.
Ela aprova a tática adotada pela maioria dos professores, que exige que os trabalhos sejam entregues manuscritos. “Esse método fixa mais o aprendizado porque quando estou escrevendo também estou lendo”, observa. Sua irmã, Fernanda, 14 anos, aluna da 8.ª série, tem a mesma opinião.
“Mesmo que a pesquisa seja feita via Internet, é preciso pensar para concluir o trabalho. Só copiar por copiar não vale a pena”, arremata, demonstrando que está consciente de suas obrigações. Sua amiga, Vanessa Alves Braganti Dias Garcia, 15 anos, aluna do 1.º colegial Colégio Fênix, faz uso rotineiro da Internet para cumprir as tarefas de casa.
“Só não uso se o conteúdo pesquisado for muito pouco. Às vezes, nem sempre consigo achar material suficiente para trabalho na Internet”, revela. Sua colega de escola, Maria Zilda Puccinelli, 15 anos, é uma internauta assumida. “Só faço pesquisa na Internet. É o melhor meio para se estudar”, garante.