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O mundo de Terri


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Qual o tamanho do nosso mundo? Somos melhores ao morar numa cidadezinha dos confins do sertão ou numa grande metrópole. Viver os dias a contar o próprio mundo, como um poeta, ou o mundo dos outros, como um caixa de banco. Trabalhar fechado numa minúscula cápsula de um elevador de serviço... 1º andar, 2º andar ou na imensidão do espaço acima de arranha-céus e das fronteiras políticas ou sociais que criamos.

Ouso dizer que o tamanho do nosso mundo é o tamanho dos nossos sonhos. E quanto mais sonhamos mais livres somos. A liberdade é a capacidade de fazer com que os nossos atos, do pensar ao agir, nos façam bem. Que liberdade temos quando nossas pernas, vozes e mentes nos levam a caminhos que muitas vezes nem acreditamos, apenas pela necessidade de sobrevivência num mundo que nem sequer criamos. Simplesmente o reproduzimos e pouco, muito pouco, fazemos para deixá-lo melhor quando daqui partirmos.

Não somos livres como gostaríamos, nem sequer como imaginamos. Dependemos do transporte, da energia elétrica, do ar, da água. Dependemos de alguém que produza o pão que nos alimenta e quem o produz precisa da chuva que por sua vez precisa do sol. Todos somos dependentes. Terri Schiavo não é mais e nem menos dependente do que nós. Ouso, mais uma vez dizer, que talvez Terri seja mais livre. Em seus sonhos ela pode construir o seu mundo, quem sabe mais limpo, mais lindo, mais simples do que o nosso. Talvez ela possa voar e ser feliz, mergulhar nos oceanos e caminhar pelas raias do arco-íris. Terri pode e, no fundo, a invejamos por isso.

Inventamos um mundo para nos dar proteção, segurança e conforto em troca das nossas liberdades. Em nosso mundo real prendemos gente, animais, aves e peixes e no entanto em nossos tratados com a maior cara de pau, ou a melhor das intenções, colocamos a liberdade em primeiro lugar. O mundo de Terri livre das escolas, das mídias, dos padrões é impossível de ser alterado, só mesmo... eliminado. Assim como eliminamos os que neste mundo são diferentes, como Terri é, sob o olhar construído pelas nossas limitações. Assim matamos os seus sonhos para manter vivos os nossos pesadelos. (O autor, Luís Victorelli, é jornalista. Diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e coordenador do Projeto ScienceNet e Ciência e Cidadania - HRAC/USP-USC - www.sciencenet.com.br. lvict@terra.com.br)

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