Cultura

Exposição reúne esculturas em madeira

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

No livro que São Francisco segura nas mãos, é possível observar as palavras escritas nas páginas abertas. Ou checar a quantidade de contas do terço que ele carrega. Estamos falando de uma das esculturas em madeira de Enio Romani, de 64 anos. De hoje a 16 de abril, 13 peças de sua coleção estarão na exposição “Sacra... Arte em Madeira”, no Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bauru.

São esculturas em madeira cujos tamanhos variam de 12 a 40 centímetros de altura. A maior parte delas retratam figuras sacras - São Francisco, Sagrado Coração de Jesus, Sagrado Coração de Maria, Ascensão de Nossa Senhora, São José, Santa Ana e Santa Ceia, entre outras. Mas há também peças que fogem ao tema principal, como uma índia carregando um cesto de frutas e um cavalo.

Geralmente, Romani utiliza mogno, jequitibá e cedro. “O mogno é uma madeira mais maleável, mais fácil de se trabalhar”, diz o artista, que utiliza a madeira em seu estado natural. Portanto, a matéria-prima deve ser muito bem escolhida e não pode apresentar defeitos, já que ele não usa tinta para corrigir defeitos.

O trabalho de Romani começa quando ele vê uma peça pronta em gesso, por exemplo, e tem a inspiração para fazer a sua, em madeira. “Eu vejo outra para me dar a idéia e para formar a imagem. Mas nunca sai igual”, frisa.

A peça de madeira selecionada começa a ser desbastada com ferramentas mais rudes, para dar forma à escultura. Pouco a pouco, as ferramentas vão sendo trocadas por outras mais precisas, principalmente no momento de talhar detalhes como traços fisionômicos. O artista chega a usar até instrumentos cirúrgicos e ferramentas odontológicas, com auxílio de lupa, para conseguir os menores traços em seus trabalhos.

O acabamento é feito com o raspilho - ferramenta que raspa a madeira e dá o polimento. Depois, Romani ainda usa lixas grossas e finas, até chegar a um bom polimento. Há, ainda, a escovação. Quando necessário, ele passa a seladora na escultura, com o objetivo de preservá-la.

O tempo necessário para confeccionar cada peça depende do tamanho e dos detalhes. “Demoro até meses. Quanto maior, mais fácil se torna porque os detalhes de expressão fisionômica ficam maiores”, explica.

Romani começou a fazer esculturas em madeira ainda na infância. “A gente pegava um canivete e fazia os nossos brinquedos. Fui tomando gosto pela coisa”, conta.

Ele trabalhou durante 40 anos numa indústria madeireira, onde aprendeu a manejar outras ferramentas. Hoje, aposentado, ele tem mais tempo para se dedicar a seu hobby. “Agora, continuo fazendo como hobby, mas com mais tempo”, destaca.

O artesão já participou de exposições em sua cidade natal, Lençóis Paulista - onde vive até hoje - e recebeu medalha de bronze em uma mostra realizada em Araraquara, por uma de suas obras. Além disso, expôs um São Francisco em São Paulo, num evento em comemoração aos 500 anos do Brasil.

Serviço

Exposição “Sacra... Arte em Madeira”, de Enio Romani, de hoje a 16 de abril, no Sesi. O endereço é rua Rubens Arruda, 8-50. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3234-1066.

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